AiotAiot


Cientistas britânicos usam IA para criar a “vacina universal”

Nova tecnologia pode oferecer proteção contra milhares de variantes de vírus e prevenir pandemias como as de covid-19 e ebola

09/06/2026Por Ricardo Marques da Silva

Cientistas britânicos usam IA para criar a “vacina universal”
Tamanho fonte

*Imagem: reprodução DIOSynVax

Uma equipe liderada por cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, desenvolveu um método “fundamentalmente novo” de criação de vacinas que poderão ser eficazes na proteção contra uma grande variedade de vírus e prevenir pandemias. Na base do processo está um componente essencial projetado inteiramente por inteligência artificial, e o primeiro ensaio clínico em humanos foi realizado em parceria com a DIOSynVax, uma empresa derivada de Cambridge, fundada em 2017, com o apoio da Cambridge Enterprise, o braço de comercialização da universidade.

O ensaio envolveu 39 voluntários saudáveis e demonstrou que a vacina é segura e não apresenta efeitos colaterais significativos. Foi testada uma vacina desenvolvida para fornecer imunidade contra múltiplos coronavírus da família Sarbeccovírus, um grande grupo que inclui o SARS-CoV-2, com respostas imunológicas nos voluntários também contra vírus relacionados que poderiam, potencialmente, passar de animais para humanos e causar futuras pandemias.

Foi a primeira vez que uma vacina com componente ativo projetado inteiramente por simulações computacionais passou por testes em humanos.“Esse ensaio clínico comprovou a segurança de uma forma totalmente nova de desenvolver vacinas. A tecnologia utiliza um ‘superantígeno’ projetado por IA para fornecer proteção duradoura contra uma ampla gama de vírus, mesmo quando estes sofrem mutações”, afirmou a universidade.

Jonathan Heeney, pesquisador e professor de patologia comparativa em Cambridge e líder científico da pesquisa, acrescentou: “Transformamos o desenvolvimento de vacinas, que deixou de ser reativo para se tornar à prova de futuro. Nossas vacinas continuarão a oferecer proteção contra vírus mesmo quando estes sofrerem mutações e se transformarem em novas cepas. Superamos o problema das vacinas tradicionais, que têm proteção limitada. Isso significa que podemos escapar do ciclo constante de perseguir as variantes do vírus que circulam em humanos e atualizar as vacinas para tentar alcançá-las, como um cachorro correndo atrás do próprio rabo”.

Para desenvolver o que chamaram de “vacina universal”, a equipe de Cambridge utilizou todos os dados de sequência genética disponíveis para os coronavírus, registrados por programas de vigilância em todo o mundo. Usando aprendizado de máquina, eles então projetaram um superantígeno contendo as características antigênicas comuns a todo esse grupo de vírus.

De acordo com os pesquisadores, ainda serão necessários outros estudos antes que a supervacina esteja pronta para ser utilizada. “Um ensaio clínico de fase 2, em maior escala, avaliará a capacidade da vacina de induzir respostas imunes em uma população mais ampla e diversificada e confirmará se gera respostas fortes com ampla proteção”, explicaram.

Saul Faust, um professor da Universidade de Southampton que participou do ensaio clínico, disse que essa é uma nova categoria de vacinas universais preparada para o futuro: “Se conseguirmos desenvolver e avançar clinicamente com essa nova classe de vacinas antes do início de um surto viral, milhões de vidas poderão ser salvas, evitando-se os confinamentos e preservando a economia”.

TAGS

#covid-19#ebola#pandemias#superantígeno#vacina universal#vacinas#variantes de vírus

COMPARTILHE

Notícias Relacionadas