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Governo Trump quer que chatbots de IA substituam os médicos

Especialistas discordam da iniciativa e afirmam que a tecnologia ainda não está apta a diagnosticar doenças e prescrever medicamentos

10/06/2026Por Ricardo Marques da Silva

Governo Trump quer que chatbots de IA substituam os médicos
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*Foto: Amy Gleason, Trump e a IA/Reprodução Nurse.com

O governo dos Estados Unidos está preparando o terreno para a implantação de uma rede de chatbots de IA que poderiam substituir os médicos no diagnóstico de doenças e na prescrição de medicamentos, o que vem causando preocupação entre os profissionais de saúde. De acordo com o jornal The Washington Post, estão sendo analisadas várias maneiras de integrar essa tecnologia ao sistema de saúde norte-americano, entre as quais a oferta de US$ 50 milhões em prêmios de pesquisa para o desenvolvimento de software de IA capaz de fornecer atendimento cardiovascular de urgência.

Além disso, o governo está apoiando um programa piloto de três meses no estado de Utah, com o objetivo de permitir que bots de IA renovem as prescrições aos pacientes, e ocorrem discussões internas na Casa Branca a respeito da regulamentação de médicos que utilizam inteligência artificial de forma independente, equiparando-a à de veículos autônomos. Grandes empresas de tecnologia, como a OpenAI, a Anthropic e o Google, teriam apoiado a estrutura proposta pelo governo para a avaliação das ferramentas de IA.

A porta-voz de Trump na defesa desse plano é a ex-enfermeira Amy Gleason, cuja filha teria sido “salva pela IA”. Descrita como “uma verdadeira crente nas maravilhas da IA”, Gleason é a atual administradora do controverso Departamento de Eficiência Governamental (Doge), uma comissão consultiva criada por Donald Trump e idealizada e dirigida durante cinco meses por Elon Musk, e afirma que sua filha, Morgan, foi diagnosticada corretamente pelo ChatGPT depois de vários anos de luta contra uma doença autoimune debilitante tratada de forma errada pelos médicos.

Muitos especialistas contestam os argumentos de Amy Gleason e a própria Nurse.com, uma organização de apoio aos profissionais de enfermagem, publicou uma reportagem com críticas à iniciativa de Trump. “Um estudo do Instituto de Internet de Oxford, de fevereiro de 2026, concluiu que os principais modelos de IA não eram melhores do que médicos humanos no diagnóstico e alertou que perguntar a um modelo de linguagem sobre sintomas pode ​​ser perigoso, levando a diagnósticos errados e à falha em reconhecer quando é necessário receber ajuda urgente”, disse a entidade.

A Nurse também citou a opinião de Robert Wachter, professor e chefe do Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia, que destacou as forças que podem estar por trás dessa pressão do governo: “Estamos combinando uma administração geralmente antirregulamentação e pró-empresarial com laços muito estreitos com uma enorme quantidade de riqueza pertencente a um segmento da sociedade que quer que avancemos rapidamente”, afirmou.

De qualquer maneira, para impor a substituição de médicos por chatbots de IA, Trump ainda terá de superar alguns obstáculos legais. Atualmente, nos Estados Unidos, existem ressalvas claras ao uso de ferramentas de IA na área da saúde, de acordo com as regras da Food and Drug Administration (FDA) e dos conselhos estaduais.

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#chatbots#diagnóstico de doenças#médicos#prescrição de medicamentos#Trump

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