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25/05/202608/06/2026Por Redação

O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP e a Arqia, empresa da área de conectividade e infraestrutura IoT, desenvolveram um projeto de monitoramento remoto que combina dispositivo vestível, inteligência artificial e conectividade IoT para detectar precocemente alterações cardíacas antes do surgimento de sintomas.
O projeto, conduzido pelo InCor, amplia as perspectivas do cuidado preventivo em saúde no Brasil. A solução baseia-se em um dispositivo vestível equipado com sensores ópticos capazes de realizar a aquisição contínua de sinais de fotopletismografia, tecnologia amplamente utilizada para avaliar a circulação sanguínea de forma não invasiva.
“Com o monitoramento contínuo, conseguimos identificar alterações hemodinâmicas que muitas vezes antecedem crises e eventos cardiovasculares graves. Isso abre caminho para uma medicina mais preventiva, com menos internações e melhor qualidade de vida. É um avanço importante para o paciente, para a equipe médica e para o próprio sistema de saúde”, explica o Prof. Dr. Marco Antonio Gutierrez, diretor do serviço de informática do InCor.
Esses sinais são analisados por algoritmos de inteligência artificial, também desenvolvidos pelo InCor, que permitem a estimativa de biomarcadores cardiovasculares importantes para o acompanhamento clínico. O sistema funciona como uma solução de internet das coisas (IoT) e utiliza a infraestrutura de conectividade da Arqia. Essa integração possibilita o acompanhamento em tempo real, à distância, de parâmetros como pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio, mesmo fora do ambiente hospitalar.
Atualmente em fase de validação na cidade de São Paulo, o sistema foi projetado para identificar riscos à saúde antes mesmo do surgimento de sintomas, permitindo intervenções médicas mais precoces, prevenindo complicações e reduzindo a ocorrência de eventos cardiovasculares graves.
A tecnologia desenvolvida pelo InCor baseia-se nos princípios físicos da fotopletismografia: o dispositivo vestível emite feixes de luz sobre a pele do paciente e analisa a luz refletida, que varia de forma pulsátil em resposta às variações naturais e rítmicas do volume sanguíneo vascular ao longo do ciclo cardíaco. A partir desses sinais, algoritmos executados em um smartphone calculam automaticamente indicadores como pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Além disso, um sensor de temperatura (termopar) integrado ao equipamento de uso corporal permite a medição da temperatura da pele.
Todos os dados coletados são anonimizados, criptografados e enviados automaticamente para uma Plataforma Digital no InCor, onde médicos e profissionais de saúde acompanham a evolução clínica dos pacientes em tempo real. Como o sistema opera de forma autônoma e em intervalos regulares, o monitoramento se torna contínuo e preciso, totalmente não invasivo e realizado no ambiente real do paciente, sem interferir em sua rotina.
Um diferencial importante da solução é seu processamento mesmo na ausência de redes Wi-Fi. Isso é possível graças à conectividade móvel fornecida pela Arqia, que garante a transmissão dos dados por redes celulares. Assim, cada medição chega ao ambiente clínico sem interrupções, ampliando a confiabilidade do monitoramento remoto.
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