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02/07/2026Por Ricardo Marques03/07/2026Por Redação AIoT Portugal

O governo português lançou na quarta-feira, 1º de julho, o primeiro modelo de linguagem de IA de código aberto do país, batizado de Amalia, um acrônimo de Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial e também uma homenagem à mais importante cantora de fado de sua história, Amália Rodrigues. A iniciativa está diretamente relacionada ao movimento da União Europeia pela soberania em IA e se soma ao desenvolvimento dos sistemas da Mistral AI, na França, e da Aleph Alpha, na Alemanha, que competem com big techs como a OpenAI, o Google e a Anthropic.
O Amalia é o resultado de um projeto colaborativo realizado por um consórcio de universidades e centros de pesquisas, financiado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência do governo português, com custo estimado em 5,5 milhões de euros. No lançamento, o primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou que será destinado mais 1,5 milhão de euros para o aperfeiçoamento do modelo, que começa com 9 bilhões de parâmetros e deve chegar a 22 bilhões numa segunda fase. “A autonomia estratégica da Europa está hoje, talvez mais do que nunca, ligada à IA. Esse modelo permitirá que enfrentemos as próximas décadas com mais soberania e menos dependência”, disse Montenegro.
A intenção não é disputar mercado com IAs como o ChatGPT ou o Gemini. Prioritariamente, o Amalia pretende ser uma tecnologia básica que instituições públicas, empresas, universidades e pesquisadores possam utilizar para, por exemplo, criar aplicativos com IA adaptados às suas necessidades. O modelo já foi validado em ambiente real em quatro setores estratégicos – ciência, educação, museus e cultura e comunicação social – e o próximo passo será integrá-lo diretamente aos canais de atendimento digital da administração pública e no aplicativo gov.pt.
Paulo Dimas, CEO do consórcio Center for Responsible AI, explicou que o Amalia é uma infraestrutura de base que serve para quem aplica a IA, concentrada em três pilares fundamentais de soberania nacional: o idioma português, a cultura e as referências históricas e sociais do país e a proteção dos dados, para garantir que informações sensíveis sejam processadas localmente e não em servidores de multinacionais estrangeiras. “Não vai haver uma interface de chat para as pessoas interagirem, como se fosse o ChatGPT, porque não é essa a função. É preciso perceber que isto não é um ChatGPT e é muito importante reiterar essa informação”, afirmou Dimas.
De qualquer maneira, qualquer cidadão, entidade, programador ou empresa pode baixar e utilizar o sistema comercialmente, sem custos, bastando acessar o portal ia.gov.pt, entrar no link para o Hugging Face e obter o acesso. Entre os aplicativos iniciais estão um guia virtual para os museus de Portugal, ferramentas de apoio à decisão para a Marinha Portuguesa, um assistente de ensino com IA para o planejamento de aulas e um assistente que apoia a prestação de serviços aos cidadãos.
De acordo com o jornal lisboeta Diário de Notícias, o Amalia foi treinado durante 18 meses a partir do modelo europeu EuroLLM, utilizando a capacidade computacional de supercomputadores de topo como o português Deucalion, instalado no Minho, e o MareNostrum 5, em Barcelona. “O desenvolvimento científico esteve a cargo de uma equipe de mais de 60 pesquisadores e estudantes de cinco instituições de ensino superior do país: a Nova FCT (que assumiu a coordenação do consórcio por meio do professor João Magalhães), o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Minho e a Universidade do Porto”, explicou.
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