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27/07/2026Por Ricardo Marques da Silva06/08/2026Por Ricardo Marques da Silva

A inteligência artificial tem potencial para permitir que países em desenvolvimento realizem em uma década o que, sem o uso da tecnologia, levaria um século, desde que os governos ajam rapidamente para solucionar as lacunas de poder, conectividade, habilidades e qualidade institucional que ameaçam deixá-los para trás. Essa foi uma das conclusões do relatório “A Promessa da Inteligência Artificial”, elaborado pelo Banco Mundial e divulgado na terça-feira, dia 4.
De acordo com o Banco Mundial, os empregos em países de alta renda têm três vezes mais probabilidade de serem ameaçados pela automação por IA generativa do que em países de baixa e média renda. Nesses últimos, 4,5% dos postos de trabalho existentes estão em risco, percentual que chega a 14,2% em países desenvolvidos. Ao mesmo tempo, cerca de 16% dos empregos em economias em desenvolvimento poderiam ter sua produtividade significativamente aumentada pela IA.
O relatório afirma ainda que a principal perspectiva nos países em desenvolvimento não é a substituição de trabalhadores, mas a ampliação do que eles são capazes de fazer. “A IA lançou uma tábua de salvação para as economias em desenvolvimento, que devem aproveitá-la”, disse Indermit Gill, vice-presidente e economista-chefe do Grupo Banco Mundial.
Esses países, segundo Gill, não precisam de grandes modelos ou centros de dados gigantescos para colher os benefícios da tecnologia. “Ao adaptar ferramentas de IA pequenas e de baixo custo às condições locais, podem levar melhores cuidados médicos, educação, serviços jurídicos e extensão rural ao alcance de milhões de pessoas. Mas precisam se apressar: a IA está se espalhando mais rapidamente e é mais específica ao contexto do que tecnologias de uso geral anteriores, como eletricidade e internet”, acrescentou, em um comunicado à imprensa.
O documento faz uma avaliação abrangente do impacto da IA nos países em desenvolvimento e mostra como empresas e governos usam a tecnologia, principalmente para ajudar pessoas, empresas e órgãos públicos a resolver problemas, analisar informações, aprimorar previsões e fornecer serviços em maior escala. Destaca ainda que as economias em desenvolvimento vivem hoje “o seu pior desempenho de crescimento médio em três décadas”, e a IA poderá impulsionar avanços significativos ainda nesta década e proporcionar benefícios tangíveis.
Apesar dessa previsão otimista, o Banco Mundial reiterou o alerta: “Contudo, essa oportunidade não está garantida. Os sistemas de IA mais avançados estão a ser construídos por um pequeno número de países e empresas, enquanto muitas economias em desenvolvimento ainda carecem da capacidade, do acesso à internet, dos dados, das competências e das instituições necessárias para utilizar a IA de forma eficaz. Sem uma ação deliberada, a IA poderá ampliar as disparidades entre países, aumentar a desigualdade, concentrar o poder de mercado, enfraquecer a confiança nas instituições públicas e criar novos riscos para a segurança, os direitos e a coesão social”.
Gaurav Nayyar, que dirigiu o estudo do Banco Mundial, afirmou que a janela de oportunidade para acertar é estreita: “A IA representa uma oportunidade única para resolver problemas que resistiram a soluções por gerações. Os países em desenvolvimento que construírem agora as bases em energia, conectividade, habilidades e instituições estarão em posição de adotar e adaptar a IA às suas demandas”.
Indermit Gill completou: “O custo de perder essa oportunidade seria altíssimo. As economias em desenvolvimento de hoje perderam a primeira Revolução Industrial e passaram os dois séculos seguintes pagando o preço. Não podem se dar ao luxo de perder essa”.

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