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China diz que apelo da Anthropic é “tática de Guerra Fria”

Jornal estatal define o CEO Dario Amodei como representante dos EUA e afirma que sua retórica é inapropriada, hostil e infundada

18/09/2026Por Ricardo Marques da Silva

China diz que apelo da Anthropic é “tática de Guerra Fria”
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*Foto: ilustração do jornal chinês sugere que EUA são contra a IA de código aberto/Reprodução

O ensaio a favor da desaceleração da IA que Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou na semana passada repercutiu em todo o mundo e ganhou o apoio de executivos como Sam Altman e Elon Musk, mas, para a China, não passa de uma tática destinada a beneficiar as grandes empresas norte-americanas e levar os Estados Unidos à liderança no desenvolvimento da tecnologia. Em um editorial longo e contundente, o jornal estatal chinês Global Times disse que as declarações de Amodei são uma tática da “Guerra Fria da IA” e utilizam uma retórica “inapropriada, hostil e infundada”.

“Tais afirmações foram motivadas por interesses comerciais e preocupações competitivas, o que leva ao risco de transformar a segurança da IA ​​em uma questão geopolítica de soma zero, em vez de abordar um desafio global que exige cooperação entre as principais potências da IA”, criticou o jornal, ao lembrar que Amodei mencionou a China 12 vezes em seu ensaio e defendeu restrições políticas e comerciais ao país.

Segundo o Global Times, a verdadeira intenção do ensaio é “tentar frear o desenvolvimento da IA ​​na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, manter a hegemonia monopolista de Washington em tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de governança da IA”. O editorial afirmou ainda que “essa Guerra Fria silenciosa da IA é hipócrita e míope”, acrescentando que excluir a China da inovação em IA “aumentaria significativamente os custos de tentativa e erro e os riscos de perda de controle no desenvolvimento global da IA”.

Curiosamente, ao comentar o artigo de Amodei, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi bastante crítico e manifestou-se contrário à proposta de desacelerar a IA. “Forças muito negativas estão levantando preocupações exageradas. Estamos à frente da China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na área de IA vence no final”, reagiu Trump.

Xiao Qian, vice-reitor do Instituto de Governança Internacional de IA da Universidade Tsinghua, destacou uma questão central na disputa entre a China e os Estados Unidos ao lembrar que o problema, para a Anthropic, é a concorrência crescente dos modelos chineses de código aberto, em rápido avanço. Essa abordagem estaria desafiando e ameaçando os modelos de código fechado da Anthropic e das outras big techs norte-americanas em termos de custo, desempenho e ecossistema global de desenvolvedores.

Além disso, o Global Times se referiu a uma entrevista dada à CNBC por Clément Delangue, CEO da Hugging Face, segundo o qual a China está vencendo a corrida da IA ​​com modelos de código aberto e pode alcançar os criadores de modelos dos EUA já neste ano. “Impulsionando essa revolução está o ecossistema aberto de colaboração e compartilhamento da China, enquanto os criadores de modelos nos Estados Unidos estão construindo em silos e correm o risco de ficar para trás”, afirmou Delangue.

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#Anthropic#código aberto#desaceleração da IA#Guerra Fria#Guerra Fria da IA

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