AiotAiot


Ex-professora é a primeira manifestante anti-IA a ser presa

Aos 69 anos, Wynd Kaufmyn se entregou à polícia de São Francisco depois de ser condenada por acorrentar as portas da OpenAI

18/08/2026Por Ricardo Marques da Silva

Ex-professora é a primeira manifestante anti-IA a ser presa
Tamanho fonte

*Foto: Wynd Kaufmyn (à esquerda) durante protesto/Facebook

Em fevereiro de 2025, ativistas do grupo StopAI acorrentaram e trancaram as portas da frente da sede da OpenAI em São Francisco, nos Estados Unidos, em protesto contra o que chamam de “desenvolvimento irresponsável de tecnologias destrutivas de inteligência artificial”. Entre os manifestantes estava a professora aposentada Wynd Kaufmyn, que em junho deste ano foi condenada por um juiz da Califórnia pelos crimes de interferêrncia em um estabelecimento comercial, invasão de propriedade, reunião ilegal e recusa em dispersar um tumulto.

Na última sexta-feira, dia 14, a ex-professora de 69 anos entregou-se à polícia e se tornou a primeira pessoa a ser presa por participar de um protesto anti-IA. Enquanto os policiais a algemavam, centenas de pessoas cantavam e a chamavam de “Rosa Parks dos riscos da IA”, numa referência à mulher que se tornou símbolo do movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos ao se recusar a ceder seu lugar em um ônibus a um homem branco, em 1955.

Antes de ser presa, Wynd Kaufmyn afirmou: “É absolutamente assustador e revoltante que esses CEOs e especialistas em IA conheçam os perigos envolvidos na tecnologia e mesmo assim continuem insistindo. Para mim, isso é inconcebível e repreensível”. Aos dirigentes da OpenAI, da Anthropic e da Meta, ela mandou este recado: “Recuperem sua humanidade”.

A procuradora distrital de São Francisco, Brooke Jenkins, disse que o veredicto reforçou a ideia de que “manifestantes não podem colocar a segurança pública em risco para promover sua causa”. Porém, a prisão de Kaufmyn ocorreu em um momento de crescente preocupação com a segurança da IA ​​entre legisladores e especialistas em tecnologia. Recentemente, centenas de pesquisadores de importantes laboratórios de IA assinaram um manifesto no qual alertam que as ferramentas de IA ​​pode avançar mais rapidamente do que a capacidade de compreendê-las ou controlá-las.

Na semana passada, o senador norte-americano Bernie Sanders exigiu que os líderes do setor de tecnologia suspendessem o desenvolvimento da IA, “que, em mãos erradas, pode levar a novas armas biológicas que resultariam na morte de dezenas de milhões de pessoas”. Entrevistado pelo jornal britânico The Guardian, David Kreuger, especialista em segurança tecnológica na Universidade de Montreal, disse que a IA “pode literalmente levar à extinção da humanidade, da mesma forma que os humanos causaram a extinção de muitas outras espécies”.

TAGS

#extinção da humanidade#manifestante anti-IA#protesto anti-IA#segurança da IA#StopAI#tecnologias destrutivas

COMPARTILHE

Notícias Relacionadas