IA pode ajudar a avaliar a saúde com uma única foto de rosto
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22/10/2026Por Ricardo Marques da Silva28/10/2026Por Ricardo Marques da Silva

Pesquisadores da Microsoft desenvolveram um sistema de inteligência artificial que alcançou maior precisão diagnóstica do que clínicos gerais em testes envolvendo casos médicos complexos e registros de pronto-socorro. De acordo com um estudo publicado na revista Science, o sistema avaliou corretamente 83,2% dos pacientes examinados, mais do dobro do que os 36,1% de acerto dos médicos que utilizaram materiais de referência convencionais.
De acordo com os cientistas, a ferramenta Microsoft AI Diagnostic Orchestrator (MAI-DxO) é capaz de analisar casos médicos em etapas, sequencialmente, em vez de depender de um conjunto completo de informações do paciente desde o início. A IA indica e coordena as perguntas que devem ser feitas e determina os exames necessários por meio de um “orquestrador” que organiza a forma de abordar o problema, empregando um painel simulado de médicos para completar o diagnóstico, por meio de um modelo de linguagem abrangente.
O estudo usou a IA GPT-5, da OpenAI, em suas principais avaliações e, em vez de receber todas as informações médicas, começou com uma descrição clínica limitada e solicitou detalhes adicionais à medida que a investigação avançou. A partir daí, o MAI-DxO revisou os diagnósticos preliminares, determinou se eram necessários testes adicionais e levou em conta o custo de exames adicionais antes de decidir como proceder.
Para avaliar esse processo, os pesquisadores também desenvolveram uma estrutura de testes chamada Sequential Diagnosis Benchmark (SDBench), que utiliza um mecanismo automatizado para liberar informações do paciente somente quando solicitadas, exigindo que tanto os sistemas de IA quanto os médicos participantes tomem decisões com base nas evidências disponíveis em cada etapa. O conjunto de dados de referência incluiu 304 casos complexos divulgados em publicações médicas e 325 atendimentos em emergências hospitalares.
Segundo o estudo, foi constatado que o MAI-DxO fazia uma média de 25,5 perguntas antes de solicitar o primeiro exame diagnóstico, enquanto os médicos participantes faziam a média de 5,6. Isso permitiu que o sistema coletasse mais informações sobre o histórico do paciente antes de selecionar os exames necessários.
Em entrevista à Reuters, Dominic King, vice-presidente corporativo da unidade de saúde da Microsoft AI, cuja equipe está desenvolvendo a nova tecnologia, afirmou: “A IA se tornou muito boa em obter uma taxa de aprovação de 100% nesses testes”. Harsha Nori, chefe de IA da Microsoft AI Health, acrescentou: “Não estamos apenas medindo a precisão dos sistemas de IA. Também estamos medindo com que rigor e cuidado eles realizam um diagnóstico”.
Os autores do estudo admitiram que a ferramenta ainda precisa passar por novas etapas de desenvolvimento e em nenhuma circunstância dispensa a participação dos médicos no diagnóstico. Agora, em colaboração com o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, os pesquisadores testarão a capacidade do sistema de fazer triagem de pacientes nas salas de espera dos hospitais.
#casos médicos#diagnóstico#emergências hospitalares#exame diagnóstico#modelo de linguagem

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