Ferramenta de IA detecta sinais de fraude em redes de saúde
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09/10/2026Por Redação16/10/2026Por Redação

A ideia de que a IA veio para facilitar a vida dos profissionais e oferecer maior tranquilidade para suas decisões não condiz com a realidade. Pelo menos é o que mostra um estudo do Wellhub. Segundo o levantamento, as pessoas que mais incorporaram a inteligência artificial à rotina de trabalho estão entre os que relatam o maior aumento da carga de trabalho e do burnout no Brasil. Os dados fazem parte da quinta edição do Panorama do Bem-Estar Corporativo do Wellhub, que ouviu mais de 5 mil profissionais em 10 países.
No Brasil, 37% dos Pioneiros em IA, grupo formado pelos profissionais com maior domínio da tecnologia, afirmam que o uso da tecnologia aumentou a carga de trabalho, contra 13% entre os Iniciantes, que ainda estão nos primeiros estágios de adoção das ferramentas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, 23% dos Pioneiros relatam sintomas de burnout todos os dias, ante 11% dos Iniciantes.
Os dados apontam para um novo desafio para as empresas: os profissionais que estão na linha de frente dessa transformação também podem estar assumindo novas responsabilidades e pressões. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a preparação para o uso da tecnologia, a clareza das políticas corporativas e o acesso a recursos de bem-estar estão associados a uma maior capacidade de adaptação às mudanças.
O paradoxo da produtividade: mais tecnologia, novas responsabilidades
A expectativa de que a tecnologia torne o trabalho mais eficiente contrasta com a experiência de parte dos profissionais que mais a dominam. Para os Pioneiros, o ganho de produtividade também vem acompanhado de novas responsabilidades.
No Brasil:
Os resultados indicam que a transformação não está apenas mudando as ferramentas utilizadas no trabalho, mas também quem assume parte da responsabilidade por ajudar a organização a se adaptar a elas.
Para compreender essas diferenças, o estudo dividiu os profissionais em três grupos de acordo com seu nível de domínio da inteligência artificial, considerando o uso, o conforto e a integração da tecnologia à rotina de trabalho:
Os Pioneiros representam 41% dos profissionais pesquisados, enquanto 32% são Adeptos e 26% são Iniciantes.
Preparação e liderança fazem diferença na adaptação à IA
Embora os Pioneiros absorvam mais pressão, eles também relatam maior acesso a suporte e níveis mais altos de bem-estar. Os dados reforçam a importância de preparar as pessoas para as mudanças, e não apenas disponibilizar novas ferramentas.
No Brasil, 77% dos colaboradores que trabalham em empresas com uma política clara e bem comunicada sobre o uso de inteligência artificial afirmam se sentir resilientes e capazes de se adaptar às mudanças, em comparação com 37% daqueles que sequer sabem se existe uma política em suas organizações.
A percepção de preparo também faz diferença. Entre os profissionais que se sentem preparados para trabalhar com a tecnologia, 87% afirmam se sentir resilientes e capazes de se adaptar ao ritmo das mudanças, ante 45% daqueles que não se sentem preparados.
Os resultados apontam para uma associação entre clareza, preparação e suporte e a percepção dos profissionais sobre sua capacidade de acompanhar um ambiente de trabalho em transformação.
Transformações no trabalho também afetam o bem-estar
Os dados brasileiros mostram que os efeitos dessa transformação vão além da relação com a tecnologia. Diferentes aspectos da rotina profissional também impactam a percepção de bem-estar dos colaboradores:
Os dados mostram que a relação com a tecnologia também se estende à forma como os profissionais buscam cuidar de si mesmos, ao mesmo tempo em que novas demandas de trabalho aumentam a necessidade de suporte.
“Estamos vivendo um paradoxo. Nunca tivemos tanta tecnologia para aumentar nossa produtividade, mas isso não significa que as pessoas estejam trabalhando menos ou vivendo melhor. A inteligência artificial tem um potencial extraordinário, mas não podemos medir o sucesso dessa transformação apenas pela eficiência que ela gera. Precisamos olhar também para o impacto sobre as pessoas”, diz Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil.
“Acredito que as empresas mais competitivas serão aquelas que conseguirem combinar inteligência artificial com bem-estar humano. Não adianta investir em tecnologia de última geração e continuar tratando a saúde física e mental dos colaboradores como algo secundário. A tecnologia deve ampliar o potencial humano, não consumir ainda mais a nossa energia. Esse é um desafio estratégico para CEOs e líderes de RHˮ, complementa.
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