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IA pode ajudar a avaliar a saúde com uma única foto de rosto

Pesquisadores usaram mais de 40 milhões de imagens de pessoas sadias e com câncer para treinar a ferramenta FAHR-Face

22/10/2026Por Ricardo Marques da Silva

IA pode ajudar a avaliar a saúde com uma única foto de rosto
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*Foto: à esquerda, características que mostram a sobrevida ao câncer; à direita, a estimativa da idade

Uma nova ferramenta de inteligência artificial poderá ajudar os médicos a diagnosticar doenças, avaliar sua gravidade e prever a sobrevida do paciente por meio da avaliação de uma única foto de rosto. Chamado de Foundation Artificial Intelligence for Health Recognition-Face (FAHR-Face), o estudo foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores do Mass General Brigham, de Boston, nos Estados Unidos, com financiamento do Conselho Europeu de Pesquisa da União Europeia, e publicado na revista científica Lancet Digital Health.

No treinamento da ferramenta os cientistas usaram mais de 40 milhões de imagens de rostos de pessoas saudáveis e 35 mil de pacientes com câncer, para duas tarefas distintas: estimar a idade biológica (FAHR-FaceAge) e prever a sobrevida (FAHR-FaceSurvival). “O FAHR-Face supera substancialmente os métodos anteriores em precisão, robustez e generalização, ajustando de forma confiável biomarcadores clínicos especializados, incluindo idade biológica e expectativas de sobrevivência, a partir de pequenos conjuntos de dados clínicos e usando apenas fotografias faciais comuns”, afirmou a equipe.

O pesquisador principal, Raymond Mak, explicou: “Com o envelhecimento da população, os médicos precisam de novos recursos para estimar a reserva física e a fragilidade do paciente antes de recomendar tratamentos intensivos, como radioterapia, cirurgia ou terapia sistêmica. Nosso objetivo é tornar a avaliação de saúde baseada em fotografias faciais mais quantitativa, consistente e escalável, para que possa apoiar decisões de tratamento personalizadas, sem substituir o julgamento médico”.

De acordo com o estudo, um único modelo fundamental pode gerar biomarcadores faciais escaláveis ​​e de baixo custo que capturam tanto o envelhecimento biológico quanto o risco de mortalidade relacionado a doenças. “O modelo fundamental permitiu um treinamento eficaz utilizando conjuntos de dados clínicos relativamente pequenos. A análise facial quantitativa de rotina pode aprimorar a estratificação de risco quando os biomarcadores tradicionais não estiverem disponíveis”, disseram os pesquisadores.

A ferramenta, cuja patente já foi requerida, sugere que a área sob os olhos e ao redor do nariz são as partes mais importantes do rosto a serem avaliadas para a detecção de doenças e para o cálculo do tempo de vida de um paciente com câncer. Porém, os pesquisadores enfatizaram que os resultados são preliminares e, para que essas métricas façam parte da prática médica, ainda há a necessidade de contar com um número maior de dados e fotos de rosto de diversos grupos étnicos.

Mesmo assim, Raymond Mak e seus colegas afirmaram que o modelo de IA se mostrou “surpreendentemente consistente” na análise de fotos comuns, apesar das variações de pose, iluminação, expressão facial e maquiagem. “Também se mostrou estável na maioria dos procedimentos de cirurgia plástica testados, com apenas uma pequena alteração observada depois de uma cirurgia no nariz”, acrescentou.

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#biomarcadores faciais#dados clínicos#FAHR-Face#foto de rosto#fotografias faciais#saúde

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