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24/08/2026Por Eduardo Ferreira31/08/2026Por Alejandro Chocolat

Durante anos, o conceito de fábrica inteligente dominou as discussões sobre transformação industrial. No Brasil, fabricantes investiram fortemente em automação, sensores IoT, robótica, analytics e máquinas conectadas para modernizar operações e aumentar a produtividade.
Esses investimentos foram importantes, mas já não são suficientes. Hoje, muitas indústrias enfrentam um novo desafio. Apesar do avanço tecnológico no chão de fábrica, as operações continuam fragmentadas. Engenharia, produção, supply chain e manutenção frequentemente trabalham em sistemas desconectados, dificultando visibilidade, colaboração e tomada de decisão em tempo real. Em muitos casos, a transformação digital criou ilhas de eficiência, mas não gerou operações verdadeiramente integradas.
A próxima etapa da competitividade industrial no Brasil não será definida apenas pelo nível de automação das fábricas, mas pela capacidade das empresas de conectar produtos, processos, pessoas e parceiros em plataformas digitais integradas.
Em outras palavras, o futuro da manufatura vai além da smart factory. Ele será orientado por plataformas.
Essa mudança já vem sendo discutida globalmente por empresas de tecnologia industrial e software, que defendem uma visão de continuidade digital entre engenharia, simulação, manufatura e operações. A discussão deixou de girar apenas em torno da automação para focar na integração e colaboração em escala.
Esse movimento é especialmente relevante para o Brasil. Fabricantes brasileiros operam sob pressão constante para aumentar a produtividade enquanto enfrentam volatilidade nas cadeias de suprimentos, custos operacionais elevados, gargalos logísticos e concorrência internacional crescente. Ao mesmo tempo, setores como automotivo, agronegócio, bens de consumo e equipamentos industriais precisam inovar mais rápido e operar de forma mais sustentável.
Nesse cenário, iniciativas digitais isoladas têm impacto limitado. A vantagem competitiva passa a depender da capacidade de orquestrar operações como um sistema integrado. Plataformas digitais permitem conectar desenvolvimento de produtos, planejamento industrial, produção, qualidade, manutenção e supply chain em um ambiente contínuo de dados e colaboração.
Isso permite que empresas avancem de modelos reativos para operações mais preditivas e adaptáveis. Uma alteração de design pode ser simulada antes de chegar à fábrica. Gargalos produtivos podem ser identificados ainda na engenharia. Interrupções na cadeia de suprimentos podem ser avaliadas virtualmente antes de impactarem operações reais.
Os gêmeos virtuais estão se tornando centrais nesse contexto. Muito além de modelos 3D, eles são representações virtuais dinâmicas e em constante evolução de produtos, fábricas e sistemas industriais. Ao integrar dados operacionais, simulação e análises, permitem que as empresas testem cenários, otimizem processos e antecipem decisões antes de sua implementação no mundo físico.
Empresas como a Dassault Systèmes têm contribuído para ampliar essa visão ao promover a integração entre ambientes virtuais e operações industriais. O objetivo não é apenas digitalizar o chão de fábrica, mas criar uma conexão contínua entre operações físicas e virtuais ao longo de todo o ciclo industrial.
Para a indústria brasileira, isso representa uma oportunidade estratégica. Historicamente, muitos projetos de transformação digital concentraram-se em ganhos pontuais de eficiência, como automação de etapas específicas ou redução de tempo de inatividade. Embora importantes, essas iniciativas nem sempre resolveram o problema central da fragmentação operacional.
A manufatura orientada por plataformas propõe uma abordagem mais sistêmica. Em vez de otimizar departamentos isoladamente, as empresas passam a otimizar todo o ecossistema industrial. Engenharia se conecta à produção. Dados tornam-se compartilhados. A colaboração entre plantas, fornecedores e parceiros torna-se mais fluida.
Essa mudança também acompanha tendências globais de regionalização produtiva e resiliência industrial. À medida que empresas buscam diversificar cadeias de suprimentos e aproximar operações de mercados estratégicos, o Brasil pode fortalecer sua posição industrial. Mas isso exigirá mais do que automação. Exigirá infraestrutura digital capaz de sustentar colaboração, visibilidade e tomada de decisão integrada.
A fábrica inteligente foi apenas o primeiro capítulo da transformação industrial. A próxima fase será definida por plataformas capazes de integrar dados, operações e ecossistemas em tempo real. Nos próximos anos, a liderança industrial no Brasil poderá depender menos de quem possui as máquinas mais avançadas e mais de quem constrói as operações mais conectadas, inteligentes e adaptáveis.
Alejandro Chocolat é managing director Latam na Dassault Systèmes
#AI#analytics#automação#fábrica inteligente#IoT#robótica

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