A tecnologia que faz a diferença na bola da Copa do Mundo
Fifa aponta os detalhes dos sensores avançados que vão ajudar o árbitro a tomar decisões capazes de definir o resultado de um jogo
03/06/2026
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*Foto: reprodução Fifa
Por Ricardo Marques da Silva
As novas tecnologias serão um dos destaques na Copa do Mundo que começa na próxima quinta-feira, dia 11, e estarão presentes tanto nos novos sistemas de transmissão dos jogos pela TV quanto nos avatares de jogadores e em uma plataforma de IA generativa para análise de equipes. Ainda mais importante, a principal novidade estará, literalmente, no interior do ponto crucial de qualquer partida de futebol e centro de toda a atenção: a bola, chamada pela Fifa de Trionda.
Decorada em branco, vermelho e azul, não por acaso as cores da bandeira dos Estados Unidos, a Trionda foi desenvolvida em parceria com a Adidas e está equipada com chips que fornecem informações ao sistema de rastreamento dos estádios. O sistema incorpora pequenos sensores de unidade de medição inercial (IMU), que normalmente operam a cerca de 500 hertz e capturam 500 dados por segundo para monitorar a aceleração e mesmo os movimentos mais sutis da bola, em três dimensões.
De acordo com a Fifa, os dados capturados são usados para verificar o momento em que cada jogador toca na bola. Essa informação é então transmitida em tempo real para a sala de operação de vídeo e combinada com os dados de rastreamento do jogador captados pelas câmeras do estádio, para apoiar as decisões do árbitro de vídeo (VAR).
“A tecnologia de bola conectada permite o uso de sistemas de impedimento semiautomáticos, identificando com precisão o ponto de contato com a bola, ou seja, o momento exato em que um jogador toca na bola. Ao mesmo tempo, ajuda a analisar outros lances, como toques de mão ou pênaltis, fornecendo dados detalhados sobre o toque na bola”, explicou a Fifa.
Um dos desafios para chegar a essa tecnologia semiautomática de impedimento era detectar com precisão o ponto de chute correto para o passe decisivo em uma possível situação de impedimento. Segundo a Fifa, normalmente esse processo é demorado e limitado pelo número de frames disponíveis (geralmente, 50 por segundo), quando o VAR depende exclusivamente de vídeos.
“Consequentemente, buscou-se uma tecnologia que pudesse aprimorar a precisão e fornecer informações automatizadas e extremamente confiáveis sobre o momento do toque na bola. Um benefício adicional logo se tornou evidente, visto que essa tecnologia também permite a confirmação de qualquer toque na partida, incluindo possíveis lances de mão na bola que antes poderiam ser difíceis de resolver apenas com o uso de vídeo”, disse a Fifa.
A bola com sensores vem sendo testada desde 2020 em torneios como a Copa do Mundo Feminina e a Copa Intercontinental e a Fifa informou que “está aberta” a estender seu uso para outras competições. Testes extensivos confirmaram que os sensores não alteram o desempenho, o peso ou o equilíbrio da bola e, caso ocorra alguma falha durante uma partida, existem protocolos de contingência que incluem os métodos tradicionais do VAR e o rastreamento por câmeras.