Quando a medida é o poder econômico, há um imenso abismo entre os países que disputam a Copa do Mundo, expresso, por exemplo, na comparação do PIB de US$ 32,2 trilhões dos Estados Unidos com o de US$ 3,4 bilhões de Cabo Verde ou o de US$ 3,2 bilhões de Curaçao, último colocado nesse ranking que tem o Brasil na sexta posição, com PIB de US$ 2,6 trilhões, segundo o Fundo Monetário Internacional. Trata-se de uma diferença de trilhões para bilhões, o que não é pouca coisa e, embora não pareça à primeira vista, pode decidir o resultado de uma partida de futebol.
A questão é que os principais times do mundo e as seleções dos países mais ricos têm à disposição uma série de recursos tecnológicos que tornam bem mais apuradas e eficazes as análises táticas e a avaliação do desempenho dos jogadores. O problema é que algumas dessas tecnologias não estão ao alcance dos clubes e das seleções que contam com investimentos menores – pelo menos até esta edição da Copa.
Agora, os treinadores dos 48 países representados no torneio têm acesso integral, sem distinção, a uma espécie de nivelador digital que proporciona a eles as mesmas capacidades analíticas. Trata-se do Football AI Pro, um assistente de inteligência artificial híbrida e generativa desenvolvido pela Fifa em parceria com a Lenovo.
Construída com base no modelo de Linguagem do Futebol da FIFA, a plataforma é capaz de processar centenas de milhões de pontos de dados por partida e traduz métricas complexas em textos, vídeos, gráficos e visualizações 3D fáceis de entender. Em vários idiomas, o Football AI Pro permite que os treinadores insiram consultas em linguagem natural antes e depois das partidas para analisar as tendências dos adversários e aprimorar o desempenho de suas equipes.
De acordo com a Fifa, o assistente é a primeira ferramenta de IA de uso específico no futebol, dirigida aos analistas das partidas e às comissões técnicas, com foco em insights analíticos e geração de relatórios a partir de dados oficiais do jogo. “Combina agentes de IA capazes de combinar dados estruturados da partida com vídeos e outras fontes de informações para fornecer insights táticos, análises de desempenho e recomendações estratégicas de forma rápida, confiável e estruturada”, explicou a entidade.
Entre as funcionalidades específicas do Football AI Pro está a capacidade de reunir dados das partidas e organizá-los em categorias táticas, como construção de jogo, progressão, pressão, transições etc. A plataforma também é capaz de recuperar situações de correspondência relevantes e padrões estatísticos, para mostrar uma base factual antes de gerar insights. Em outras palavras, é como se o treinador de uma seleção contasse com um assistente qualificado ao seu lado, no banco, com todos os recursos potenciais da IA para analisar o desempenho do time e dos jogadores.
Já foi dito que essa será a Copa do Mundo da IA, e de fato, a tecnologia está presente de várias maneiras na competição, desde os novos recursos interativos nas transmissões dos jogos até a bola com sensores inteligentes que tornam mais exata a marcação de impedimentos e gols. Contudo, para os treinadores e suas comissões técnicas, não há dúvida que a ferramenta mais importante e decisiva para orientar decisões deverá ser o Football AI Pro.