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Uso de IA muda a dinâmica da compra de passagens aéreas

Enquanto as companhias aplicam a tecnologia na precificação, novas startups ajudam os consumidores a recuperar parte do que pagaram

06/11/2026Por Ricardo Marques da Silva

Uso de IA muda a dinâmica da compra de passagens aéreas
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São dois movimentos opostos, e em ambos a inteligência artificial é o principal vetor. De um lado, as companhias aéreas usam a tecnologia para precificar as passagens, que ficam mais altas quando aumenta a demanda, e do outro as startups aplicam as mesmas ferramentas para mostrar aos passageiros o momento certo de aproveitar as tarifas mais baixas. A novidade é que, agora, novas plataformas também permitem que o cliente recupere automaticamente parte do que pagaram, quando os preços das passagens caem.

Num segmento da área de transportes em que não há preços fixos, diferentemente do que acontece com os ônibus, trens e outros modais, o preço das passagens aéreas é determinado, supostamente, pela lógica de oferta e procura, o que resulta em variações significativas a critério das empresas operadoras. A aplicação de tecnologia, no entanto, permitiu a criação de aplicativos que indicam aos consumidores as melhores tarifas, ao analisarem em tempo real as ofertas das companhias aéreas nos períodos de menor procura e preços mais baixos.

Mais recentemente, nos Estados Unido, surgiram startups como a Junova, a Refare e a JetBack que usam a IA para ir mais longe e permitir que os passageiros recuperem parte dos valores que pagaram pelas passagens. Funciona assim: se alguém comprou por R$ 1 mil em setembro uma passagem para viajar em novembro, e perto da data do voo o preço cai para R$ 800 porque ainda há lugares vagos, é possível receber os R$ 200 da diferença.

Uma reportagem da Reuters explicou que esse mecanismo está sendo usado pelas startups com base em uma mudança que surgiu depois da pandemia de covid-19, quando muitas companhias aéreas norte-americanas eliminaram as taxas de alteração na maioria das passagens não reembolsáveis, já que os viajantes pararam de reservar viagens devido às regras de quarentena.

De acordo com a Junova, entre os cerca de 10 mil voos monitorados de setembro de 2025 a julho de 2026, 22% sofreram pelo menos uma redução de tarifa e, destes, aproximadamente 40% registraram mais de uma queda no preço, o que mostra como os preços podem mudar rapidamente depois da reserva. “As tarifas aéreas flutuam como o valor das ações nas bolsas de valores. Sobem e descem, frequentemente sobem, mas quando caem o passageiro tem agora a oportunidade de recuperar essa diferença de preço”, afirmou AJ Brustein, cofundador da Junova.

Bryan Dubno, fundador da JetBack, disse à Reuters que sua startup já recuperou US$ 2,4 milhões em créditos e reembolsos desde que chegou ao mercado, em 2025. “A IA não precisa proporcionar apenas uma vantagem unilateral. As companhias aéreas investiram décadas em tecnologias de precificação incrivelmente sofisticadas, enquanto os consumidores ainda precisavam buscar descontos por conta própria e cruzar os dedos”, acrescentou.

Cada startup adota modelos diferentes de custo para os usuários de suas plataformas. A Junova e a Refare cobram dos clientes apenas quando recuperam o dinheiro, ficando, respectivamente, com 20% e 25%, do valor obtido, enquanto a JetBack cobra US$ 100 por ano.

Porém as empresas reagiram rapidamente e, em outubro, a Alaska Airlines deixou de aceitar a redução de tarifas por meio do atendimento ao cliente e está orientando os viajantes a cancelar a passagem e reservar novamente de acordo com as regras aplicáveis. Outras companhias devem adotar medidas semelhantes, mas até que isso ocorra os passageiros podem continuar a aproveitar as ferramentas de reembolso das startups.

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