Estudante cria óculos com IA que faz tradução instantânea
Desenvolvido na Universidade de Plymouth, na Inglaterra, dispositivo chamou atenção pela simplicidade e pelo baixo custo
14/07/2026Por Ricardo Marques da Silva28/09/2026Por Ricardo Marques da Silva

*Foto: divulgação Meta
Depois de serem chamados de “óculos de pervertidos” e de “óculos de espiões”, os novos smart glasses da Meta perderam a câmera. Anunciada na quinta-feira, dia 24, durante a conferência Meta Connect 2026, a linha Ray-Ban Meta Audio permite reproduzir música e podcasts, responder a perguntas, atender chamadas e traduzir conversas com o assistente de IA Muse, da própria empresa, mas já não é mais possível gravar vídeos ou fotografar.
De acordo com a Meta, os novos óculos com IA são “construídos sem câmera e mais potentes que fones de ouvido”, com alto-falantes discretos e de ouvido aberto, sem isolar o som ambiente, além de bateria com até 12 horas de autonomia e a possibilidade de conectar aplicativos como o Spotify para ouvir música “sem usar as mãos”. Os modelos chegaram ao mercado norte-americano com preços a partir de US$ 349, sem previsão de quando estarão disponíveis no Brasil.
Na divulgação da linha, a Meta não explica por que a câmera foi desativada, no que poderia parecer um retrocesso tecnológico. Porém, tudo indica que o motivo tenha sido a pressão que ocorre em vários países contra a possibilidade de invasão de privacidade quando os óculos com IA são usados para filmar as pessoas sem consentimento.
No Reino Unido, estabelecimentos como pubs, restaurantes e teatros começaram a restringir ou proibir o uso dos smart glasses com câmera. Ainda mais grave, a Meta enfrenta ações legais nos Estados Unidos sob a acusação de coletar imagens de forma invasiva. No Brasil, foi solicitada uma investigação sobre o óculos com câmera por possível violação da Lei Geral de Proteção de Dados e do Código de Defesa do Consumidor.
Num dos casos mais ruidosos, o ginecologista Hosaná Pereira de Santana foi preso em flagrante em Salvador (BA) em 10 de julho deste ano, acusado de filmar uma paciente com óculos inteligentes, sem consentimento, durante um exame.
No entanto, a decisão de criar a linha Ray-Ban Meta Audio sem câmera não significa que a Meta assumiu a responsabilidade pelo risco de invasão de privacidade e decidiu resolver o problema. A big tech de Mark Zuckerberg continuará a produzir e comercializar os óculos com câmeras e, inclusive, acaba de apresentar ao mercado a versão Ray-Ban Meta Gen 3, com a qual é possível filmar à vontade, mesmo sem consentimento.
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