Pressão por privacidade leva Meta a lançar óculos sem câmera
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28/09/2026Por Ricardo Marques da Silva29/09/2026Por Ricardo Marques da Silva

*Foto: divulgação Meta
Antes mesmo de chegar às lojas, o novo Muse Charm da Meta, já ganhou um apelido: “Tamagotchi de IA”. E realmente há semelhanças com o brinquedo eletrônico japonês lançado 30 anos atrás, a começar pelo avatar “fofo”, o formato oval que cabe na mão e permite seu uso como um chaveiro e a clara intenção de transformá-lo em uma espécie de bichinho de estimação.
Tudo indica que o público-alvo sejam os jovens e adolescentes, mais abertos a esse tipo de novidade e adeptos das facilidades tecnológicas, já que o dispositivo é capaz de cuidar de tarefas como responder e-mails, reservar viagens, fazer compras e, o que mais chama atenção, manter conversas em tempo real. A Meta o chamou de “amuleto”, o que reforça ainda mais a ideia de proximidade e encanto.
O Muse Charm foi anunciado na semana passada no evento Meta Connect pelo CEO Mark Zuckerberg, que afirmou: “Colocamos muita tecnologia nesse pequeno aparelho”. Ele disse que o dispositivo deverá ser lançado em dezembro, por preço ainda não divulgado, e acrescentou: “Nos próximos anos, as pessoas serão capazes de usar uma superinteligência além da capacidade humana para criar e descobrir coisas extraordinárias, construir novos negócios, expressar novas ideias, aprender novos conceitos e melhorar a saúde e a qualidade de vida”.
Segundo Zuckerberg, no pequeno dispositivo está reunida toda a experiência do assistente de IA Muse, “incluindo toda a funcionalidade de voz em tempo real e avatar, em algo que cabe em um chaveiro e está sempre disponível para conversar”. Esses recursos e, especialmente, a aparência do Muse Charm o situam com clareza no que está sendo chamado de “tecnologia fofa”, ou “cute tech” apontada pela empresa de previsões WGSN como uma das principais tendências em 2026.
Entrevistado pelo jornal britânico The Guardian, Joshua Paul Dale, escritor e professor da Universidade Chuo em Tóquio, afirmou: “Claramente, o que a Meta está tentando fazer é transformar o Muse em um companheiro. E está fazendo isso da maneira mais simples possível, usando uma tela minúscula de 2 polegadas, muito simplificada, para encorajar você a antropomorfizar a figura que se vê nela, de modo que você a trate como se fosse humana, mesmo sabendo que não é”.
Katie Seaborn, professora associada da Universidade de Cambridge que pesquisa o conceito no contexto da IA, disse que se trata de “fofura estratégica” e completou: “É fofo porque basicamente parece um bebê. Existe também uma ligação natural entre fofura e engano, e eu chamo isso de encantador e desarmante, porque é uma das coisas que a fofura faz conosco, inconscientemente. É assim que nosso cérebro a processa, é baixar nossa guarda. Não podemos realmente evitar”.
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