AiotAiot


Parceria digital Brasil-UE vai ampliar a cooperação em IA

Acordo envolve a independência tecnológica dos Estados Unidos e da China e o fortalecimento de laços com “parceiros de confiança”

18/06/2026Por Ricardo Marques

Parceria digital Brasil-UE vai ampliar a cooperação em IA
Tamanho fonte

*Foto: reprodução/Comissão Europeia

O Brasil e a União Europeia oficializaram neste mês, em Brasília, uma parceria digital destinada a levar a cooperação tecnológica a um novo patamar estratégico e reforçar as prioridades comuns no que se refere a inteligência artificial, governança de dados, infraestrutura e conectividade, plataformas e bens e serviços públicos. O acordo se baseia em mais de duas décadas de colaboração entre as duas partes e reforça a busca de independência em relação às tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos e na China.

De acordo com Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, que assinou a documento em nome do bloco, para obter essa independência, a Europa quer trabalhar em cooperação com “parceiros de confiança para garantir a cadeia de suprimentos e ter total liberdade de escolha sobre com quem e como operar”. Essa questão ganha importância no atual cenário geopolítico, bastante complexo, de rivalidade em IA entre China e Estados Unidos: “Vemos que aqueles que detêm o poder nessas tecnologias dominam não só a economia, mas também o mundo”, afirmou Virkkunen em entrevista à Agência Lusa.

A representante da Comissão Europeia disse ainda que, hoje, há uma forte conexão entre tecnologia e segurança, por isso que é importante que os países defendam a soberania e evitem esse tipo de dependência: “Sempre fomos muito abertos a investimentos e negócios globais, mas agora vemos também que essa cadeia de suprimentos global pode, às vezes, ser usada como arma contra nós se formos muito dependentes de uma única empresa ou de um único país”, acrescentou.

Com o acordo, Brasil e União Europeia preveem intensificar a cooperação também no aumento da proteção a crianças e adolescentes contra conteúdo prejudicial na internet e nas áreas de semicondutores, inovação tecnológica e computação de alta performance. Segundo Henna Virkkunen, a soberania tecnológica não significa protecionismo ou isolacionismo: “Trata-se de fortalecer a nossa capacidade de inovar, competir e fazer as nossas próprias escolhas, mantendo-nos abertos ao mundo. Como uma das principais economias digitais do mundo e uma voz cada vez mais importante em questões globais, o Brasil tem um papel central a desempenhar na definição das tecnologias do futuro”, completou.

Com a iniciativa, o Brasil se junta ao Japão, à Coreia do Sul, a Cingapura e ao Canadá no grupo de parceiros digitais da UE. À Lusa, o vice-presidente Geraldo Alckmin, depois de um encontro com a representante europeia, disse que o Brasil “muda de status em relação à UE” e destacou o potencial brasileiro para receber investimentos em centros de dados: “O que limita hoje os data centers no mundo é a falta de energia, e nós temos energia abundante e renovável”.

TAGS

#cooperação em IA#cooperação tecnológica#independência tecnológica

COMPARTILHE

Notícias Relacionadas