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IA ajuda a localizar pessoas desaparecidas na Venezuela

Desenvolvedores e programadores criaram sites e aplicativos para socorro às vítimas dos terremotos ocorridos em junho

22/07/2026Por Ricardo Marques da Silva

IA ajuda a localizar pessoas desaparecidas na Venezuela
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Na sequência dos dois terremotos ocorridos na Venezuela em junho, que deixaram mais de 5 mil mortos e 18 mil feridos, várias organizações e governos de todo o mundo se mobilizaram para oferecer ajuda humanitária ao país. Um dos problemas mais dramáticos envolvia o grande número de desaparecidos, com milhares de pessoas usando as redes sociais na tentativa de localizar parentes e amigos, e foi então que a inteligência artificial desempenhou um papel relevante, por meio de iniciativas de desenvolvedores e programadores.

Numa crise política complicada, agravada pela intervenção da administração de Donald Trump que prendeu e deportou o então presidente Nicolás Maduro, em janeiro, o governo venezuelano demorou a agir para socorrer as vítimas, apesar da situação caótica enfrentada pela população. Além do desabamento de prédios, a infraestrutura de telecomunicações havia sido seriamente danificada, e os cortes de energia dificultaram o acesso à internet. Com a quase total ausência de apoio estatal, alguns cidadãos venezuelanos entraram em ação, tendo a IA como apoio.

Jorge Bastidas, um programador venezuelano de 31 anos, por exemplo, criou o site Desaparecidos Terremoto Venezuela que, graças a uma equipe de seis voluntários, criou um espaço para que os cidadãos pudessem relatar, identificar e reencontrar familiares e amigos desaparecidos. “Quem sabia quando o governo iria responder? Então decidimos agir”, disse Bastidas ao portal da organização independente Rest of World.

Com o uso do modelo de IA Claude Opus 4.8, da Anthropic, e um software de reconhecimento facial doado pela empresa mexicana Lab-Co, Bastidas projetou o site para carregar rapidamente, sem necessidade de cadastro, e em dois dias foram recebidos mais de 30 mil relatos de pessoas desaparecidas.

Iniciativas semelhantes se registraram em países como Estados Unidos, Argentina e Chile, nos quais desenvolvedores voluntários usaram IA para criar rapidamente sites e aplicativos para localizar desaparecidos e coordenar campanhas de doação, avaliar danos estruturais em prédios, mapear hospitais e abrigos e encaminhar animais de estimação.

Em quatro horas, utilizando o Replit, o desenvolvedor venezuelano Samuel Mariña, radicado na Califórnia, criou o Ayuda en Camino, um site dirigido a organizações de ajuda humanitária, voluntários e centros de doação. Jorge Luis Chacón, CEO da empresa de engenharia de IA Henkki, desenvolveu o Somos Acompañamiento, com registros de pessoas desaparecidas e listas de sobreviventes e feridos em hospitais.

Apesar das circunstâncias trágicas, Jorge Bastidas disse que um dos resultados mais positivos foi a comprovação da capacidade de ação dos cidadãos. “Em menos de um dia, centenas de iniciativas diferentes em todo o mundo foram ativadas com IA. A IA é uma ferramenta poderosa, mas não substitui as pessoas. São as pessoas que tornam essas ferramentas tão valiosas”, acrescentou.

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#ajuda humanitária#pessoas desaparecidas#terremotos#Venezuela

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