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ONU propõe governança de IA para conter “danos catastróficos”

Líderes que participaram do primeiro Diálogo Global defenderam a criação de um sistema que seja “inclusivo, ético, benéfico e colaborativo”

16/07/2026Por Ricardo Marques da Silva

ONU propõe governança de IA para conter “danos catastróficos”
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*Foto reprodução ONU

Os sistemas de inteligência artificial são tão poderosos que exigem a criação de um mecanismo de governança global capaz de garantir que essa tecnologia revolucionária beneficie toda a humanidade, com ênfase na necessidade de proporcionar acesso aos bilhões de pessoas que permanecem excluídas. Em resumo, foi essa mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, transmitida na abertura do primeiro Diálogo Global sobre Governança de IA realizado em Genebra, na Suíça, na semana passada, com a participação de acadêmicos e representantes de governos, de empresas de tecnologia e da sociedade civil.

Guterres defendeu a criação de um sistema global de governança de IA “que seja inclusivo, ético, benéfico e colaborativo”. Qualquer acordo futuro deverá ser “digno da confiança global” e priorizar a segurança, especialmente a das crianças, protegendo-as contra a manipulação e o abuso possibilitados pelas tecnologias digitais, disse ele.

Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral da ONU, defendeu uma ação coletiva para enfrentar o “lado sombrio” da IA e afirmou que, segundo relatos, 99% do conteúdo deepfake tem teor sexualmente sugestivo e em 96% dos casos o alvo são mulheres e meninas. De fato, essa preocupação com o potencial negativo da IA foi um dos pontos centrais do Diálogo Global, que discutiu formas de regular “uma tecnologia que evolui mais rapidamente do que as normas destinadas a contê-la”.

Além disso, a ONU destacou a importância de garantir que a governança da IA seja democrática e reflita as prioridades de todos os países, e não apenas daqueles que são tecnologicamente mais avançados, a fim de evitar desigualdades no acesso aos seus benefícios. Amandeep Singh Gil, subsecretário-geral da ONU e responsável pela área de tecnologias digitais e emergentes, afirmou que a IA tem consequências importantes demais para ser moldada por apenas alguns poucos países. “Precisamos de um debate que seja global, inclusivo e fundamentado em evidências”, acrescentou.

A questão principal, segundo a ONU, é permitir que a IA beneficie toda a humanidade de forma segura e justa, sem causar “danos catastróficos”. Ouvida pela ONU News, a jornalista filipina Maria Angelita Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2021, lembrou que o uso de IA nas redes sociais acelerou a propagação de mentiras. “Quando carregada de medo, raiva e ódio, a informação viraliza e, quando não é mais possível distinguir fato de ficção, não é possível haver democracia”.

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#deepfake#governança de IA#governança global#propagação de mentiras

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