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Pesquisa expõe abismo entre ambição e execução na adoção de agentes de IA no Brasil

Estudo da Skyone com a MIT Technology Review Brasil mostra que 99% das organizações veem a tecnologia como central para os negócios, mas 57% ainda não têm orçamento dedicado à área

16/07/2026Por Redação

Pesquisa expõe abismo entre ambição e execução na adoção de agentes de IA no Brasil
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Os agentes de IA estão “hypados”. Tanto que as empresas brasileiras reconhecem o papel estratégico da inteligência artificial, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar a IA agêntica em parte efetiva da operação e estruturar uma nova força de trabalho híbrida, formada por profissionais e sistemas inteligentes. É o que mostra estudo da Skyone, empresa brasileira especializada em nuvem, dados, IA e cibersegurança, realizado em parceria com a MIT Technology Review Brasil.

O levantamento revela uma contradição central na adoção corporativa da tecnologia: 99% dos entrevistados acreditam que agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos, mas 57% afirmam que suas empresas ainda não têm orçamento dedicado à área. A distância entre ambição e execução também aparece em outros indicadores: 74% das organizações estão em estágio inicial ou intermediário de adoção de IA, 59% não se consideram preparadas para operar times híbridos humano-IA nos próximos 12 meses e o mesmo percentual afirma não ter infraestrutura adequada para sustentar iniciativas robustas em escala.

O estudo ouviu 265 líderes e profissionais de empresas de tecnologia, contabilidade, varejo e jurídico, envolvidos em iniciativas de dados, inovação, operações, produtos, negócios e gestão de pessoas. A pesquisa foi conduzida entre os meses de abril e maio de 2026, por meio de questionário estruturado, com participantes de empresas de diferentes portes, desde organizações com até 99 funcionários até companhias com mais de 1.000 colaboradores.

O diagnóstico indica que a adoção de IA deixou de ser apenas uma agenda de tecnologia e passou a exigir uma reorganização mais ampla do trabalho, envolvendo desenho de equipes, liderança, competências, governança e novas formas de medir desempenho. No estudo, times humano-IA são definidos como equipes em que pessoas atuam em conjunto com assistentes generativos, copilotos, automações inteligentes e agentes autônomos para executar atividades operacionais, analíticas e criativas.

Para Felipe Wasserman, diretor de Marketing e Growth da Skyone, os dados mostram que a discussão sobre IA entrou em uma nova fase. “A discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a ser operacional e humana. O desafio agora é entender como combinar pessoas e agentes inteligentes de forma que cada um potencialize o melhor do outro”, afirma.

A pesquisa identifica que a principal barreira à escala da IA não está apenas no acesso a modelos ou ferramentas, mas na capacidade das organizações de integrar dados, processos, infraestrutura e áreas de negócio. Segundo o estudo, 40% dos respondentes apontam a integração entre áreas como principal entrave, enquanto 46% ainda operam com silos ou sem dinâmica definida entre negócio e TI.

Essa estrutura limita o avanço de agentes inteligentes, que dependem de dados conectados, governança clara e fluxos bem definidos para gerar valor de forma consistente. O padrão se repete na infraestrutura: 59% das empresas afirmam não ter base tecnológica adequada para sustentar iniciativas robustas de IA em escala.

Entre as organizações que ainda operam majoritariamente com infraestrutura local, 47% projetam agentes executando processos inteiros nos próximos três anos, uma ambição que contrasta com a realidade técnica atual. Companhias avançam em pilotos e experimentações, mas encontram dificuldade para transformar iniciativas isoladas em operação contínua.

A construção dessa nova força de trabalho híbrida ainda é um desafio para a maioria das organizações. Segundo o estudo, 59% não se consideram preparadas para operar equipes compostas por profissionais e sistemas de IA nos próximos 12 meses. O dado mostra que o avanço dos agentes não depende apenas de infraestrutura, mas também da capacidade das empresas de redesenhar papéis, preparar lideranças e desenvolver profissionais aptos a supervisionar, interpretar e orientar o trabalho realizado por sistemas inteligentes.

A pesquisa aponta ainda que 46% das empresas investem em IA com foco em produtividade, e não necessariamente em inovação estrutural. Apenas 14% utilizam retorno sobre investimento como principal métrica para avaliar suas iniciativas, o que sugere que muitas organizações ainda não definiram com clareza quais resultados pretendem alcançar com a tecnologia.

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