CEO do Spotify: “Música com IA é melhor do que música ruim”
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28/05/202623/04/2026

*Imagem: Reprodução/MIT Technology Review
Por Ricardo Marques da Silva
Fenômeno no TikTok, as “novelas de frutas” surgem como mais uma das dores de cabeça geradas por inteligência artificial que já preocupam pais e psicólogos. Com estética infantil, personagens que parecem frutas com aspecto humano e enredos polêmicos, os vídeos se inspiraram na websérie Fruit Love Island, viralizaram em março deste ano e, em geral, contêm palavrões e estimulam a misoginia, o preconceito, o abuso e a violência. Definitivamente, não são para crianças.
Ao analisar as novelinhas, a MIT Technology Review destacou que os vídeos incorporam alguns dos vetores centrais do ecossistema digital: produção em escala, distribuição orientada por engajamento e exposição precoce de públicos que, em tese, não seriam o alvo principal: “Ferramentas de IA permitem gerar personagens, vozes, cenários e episódios completos com baixo custo, alta velocidade e pouca barreira técnica. O resultado é um formato replicável, capaz de circular em volume e responder rapidamente ao que o algoritmo privilegia”, afirmou a reportagem.
De acordo com a revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, esse tipo de vídeo transgressor encontra no Brasil um ambiente particularmente favorável, considerando que no ano passado 92% dos brasileiros de 9 a 17 anos já tinham acesso à internet, o que equivale a cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes. “Quando esse tipo de enredo é embalado em códigos visuais associados à infância, o reconhecimento do risco fica menos imediato. Com repetição suficiente, o inadequado passa a circular como entretenimento banal, e a distribuição algorítmica amplia esse efeito”, disse.
A MIT Technology Review lembrou, como agravante adicional, o fato de que esses vídeos foram apropriados por perfis institucionais, “de times de futebol, como o Flamengo, a representantes da administração pública, como a prefeitura de Salvador”, tornando-se uma linguagem de ocasião nas redes, apesar do seu conteúdo nocivo. E acrescentou: “As ‘novelinhas de frutas’ não são um desvio exótico da cultura de plataforma. São a expressão mais eficiente de seu funcionamento: conteúdo barato, escala infinita, recomendação cega e proteção frágil. Quando violência, humilhação e preconceito passam a circular com aparência de brincadeira, o problema deixa de ser apenas editorial”.
Ouvida pela revista, Januária Cristina Alves, especialista em educação midiática e coordenadora do projeto Pequenos Cordiais, afirmou que a aparência lúdica dos vídeos mascara o risco: “Parece um conteúdo para crianças, porque são frutinhas, mas de infantil não tem nada. É lixo produzido por IA sem cuidado, com misoginia, gordofobia, preconceito e cyberbullying. Os meninos podem passar a perceber a agressividade como algo normal e as meninas podem entender a submissão como aceitável”.
#abuso#cyberbullying#discurso violento#estética infantil#misoginia#novelas de frutas#preconceito

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