CEO do Spotify: “Música com IA é melhor do que música ruim”
Alex Norström defendeu o recurso que permitirá aos usuários premium a criação de remixes e covers com o uso da tecnologia
28/05/2026
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Por Ricardo Marques da Silva
Graças a um acordo inédito com o Universal Music Group, o Spotify anunciou há uma semana o lançamento de uma funcionalidade que permitirá que os usuários premium da plataforma criem seus próprios remixes e covers gerados por inteligência artificial, com a autorização dos autores das músicas originais. Agora, ao justificar a iniciativa, Alex Norström, CEO do Spotify, disse que uma canção gerada por ferramenta de IA “pode ser melhor do que música ruim”.
De acordo com o Spotify, o novo recurso será impulsionado por tecnologia de IA generativa e, além de proporcionar outra fonte de receita, facilitará a descoberta de talentos: “A ferramenta introduz um modelo de criação no qual artistas e compositores podem compartilhar diretamente o valor gerado por meio de covers e remixes licenciados com tecnologia de IA na plataforma Spotify. Será lançada como um complemento pago para usuários do Spotify Premium e criará uma fonte de renda adicional para artistas e compositores, além do que eles já ganham no Spotify”, explicou a empresa.
Lucian Grainge, presidente do Universal Music Group, disse que o acordo com o Spotify aproxima artistas e fãs e cria oportunidades adicionais de receita para os compositores: “Em meio às mudanças tecnológicas, essa iniciativa é firmemente centrada no artista, fundamentada em IA responsável, e impulsionará o crescimento de todo o ecossistema”, afirmou.
Nessa mesma linha de raciocínio, o CEO do Spotify, afirmou que o serviço de streaming estava tentando oferecer uma “alternativa controlada” na qual os músicos podem consentir com o uso de suas obras e ganhar dinheiro com elas, em vez de tê-las pirateadas. “Há muitas tentativas ilegais nesse sentido”, disse Norström.
Porém, em entrevista ao The Guardian, Ed Newton-Rex, compositor e defensor dos direitos autorais dos artistas, observou que, dependendo de seu design, o recurso poderia levar os artistas humanos a enfrentar ainda mais a concorrência de trabalhos gerados por IA, em um círculo vicioso que forçaria até mesmo os mais céticos a participar.
“Se vamos ter música gerada por IA, é claramente melhor que isso seja baseado no consentimento. A grande questão será se os fãs poderão compartilhar os remixes que criam para que outras pessoas os ouçam. Se puderem, acho que entraremos em um território perigoso. Esses remixes de IA vão inundar o Spotify e sufocar outras músicas, o que, por sua vez, pressionará mais músicos a participar do recurso de remixes de IA”, disse Newton-Rex.