Xiaomi investirá mais de R$ 43 bilhões em IA
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26/06/2026Por Redação30/06/2026Por Ricardo Marques

A estética do design com inteligência artificial está conquistando a internet e, com a ferramenta Claude Design, da Anthropic, começa a criar clichês de web design da noite para o dia. Essa avaliação foi feita pela revista The New Yorker em uma reportagem assinada por Kyle Chayka, que ouviu profissionais da área para mostrar como a tecnologia é capaz de padronizar e vulgarizar um trabalho que até agora dependia, basicamente, da criatividade humana.
“À medida que o Claude Design ganha popularidade entre os usuários da Anthropic, uma estética de design genérica está emergindo, tão perceptível quanto os tiques de IA baseados em texto, como o uso excessivo de travessões ou tentativas pouco entusiasmadas de enfatizar uma frase. Os subtítulos são frequentemente ‘espaçados’, no jargão do design, com espaços entre as letras, e há uma prevalência inexplicável de barras de texto na parte inferior, como se o site fosse um programa de notícias da TV a cabo”, disse a revista.
O Claude Design foi lançado pela Anthropic Labs em abril deste ano e, em pouco mais de dois meses, já influencia o mercado. A ferramenta está disponível para assinantes dos planos Pro, Max, Team e Enterprise e é descrita assim pela Anthropic: “O Claude Design oferece aos designers ampla liberdade de exploração e a todos os demais uma maneira de produzir trabalhos visuais. Descreva o que você precisa e o Claude cria uma primeira versão. A partir daí, você aprimora o projeto por meio de conversas, comentários no texto, edições diretas ou controles deslizantes personalizados (criados pelo Claude) até que esteja perfeito”.
Ou seja, a IA faz todo o trabalho a partir de prompts, o que torna bem mais fácil a produção de um trabalho gráfico. Entrevistado pela New Yorker, o designer Matt Ström-Awn contou que, recentemente, os donos de duas startups diferentes mostraram a ele apresentações de vendas que haviam produzido para atrair clientes. As duas tinham um primeiro slide colorido e vibrante com uma declaração de missão, escrita em três tópicos concisos. Ambas também tinham segundos slides com quatro retângulos delimitando o campo de atuação e terceiros slides com uma linha de texto centralizada que explicava as estratégias de cada startup.
“As duas apresentações realmente pareciam ter sido geradas pela mesma pessoa. O logotipo era diferente, mas o design era o mesmo, porque foi feito com o uso do Claude, com estética idêntica”, disse Ström-Awn. Outros designers apontaram detalhes comuns como elementos de painel com múltiplos contornos retangulares arredondados, às vezes com um brilho neon por baixo para dar um toque especial, assim como uma combinação de cores primárias de bom gosto e ligeiramente distorcidas e tons dessaturados que remetem ao design modernista de meados do século passado.
Em si, essas características podem ser desejáveis, mas a repetição automática em diferentes trabalhos as transformam em clichês instantâneos de design. A Anthropic reconheceu o problema, e um porta-voz da empresa disse à revista que o Claude Design deveria, idealmente, ser capaz de se desviar de uma aparência padrão. “Mas isso nem sempre acontece da maneira como gostaríamos, e a equipe está trabalhando arduamente para melhorar esses recursos”, acrescentou.
Seria injusto culpar a Anthropic por oferecer uma ferramenta de design tão prática e eficaz a um número maior de pessoas, bastando pagar a mensalidade que o serviço costuma cobrar. O que os profissionais da área criticam é a banalização do trabalho criativo por meio da lei do menor esforço, que pode representar uma ameaça real à sobrevivência da profissão.
#Anthropic#Claude Design#criatividade humana#design#web design

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