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Na era da IA, sai na frente quem organiza dados

À medida que modelos avançados se tornam mais acessíveis, a diferença entre as empresas deixa de estar apenas na adoção da tecnologia e passa a depender da capacidade de construir uma base confiável, integrada e reutilizável

20/05/2026Por Filipe Cotait

Na era da IA, sai na frente quem organiza dados
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A discussão sobre Inteligência Artificial nas empresas costuma seguir um roteiro previsível. Começa pela escolha de modelos, passa por testes e pilotos e rapidamente chega ao tema da escala. A atenção se concentra no que é mais visível, onde a tecnologia aparece, enquanto o que sustenta esse avanço continua em segundo plano.
Um dado recente expõe esse desalinhamento. Apenas 7% das organizações acreditam que seus dados estão prontos para uso em IA, segundo levantamento da Harvard Business Review Analytic Services em parceria com a Cloudera. O número revela que a maior parte das empresas tenta avançar em inteligência sem ter resolvido o que viabiliza esse movimento.
O problema não está na falta de dados, mas na forma como eles estão organizados — ou, em muitos casos, desorganizados.
Em muitas empresas, a informação segue dispersa em sistemas que não se integram de forma fluida, com padrões distintos e níveis de qualidade irregulares. Isso compromete a leitura do negócio e fragiliza a confiança nas análises. Sem confiança, o uso recua. E, quando o uso recua, a inteligência perde relevância.
Ainda assim, persiste a expectativa de que a tecnologia mais recente será capaz de compensar essas limitações. Não será. Modelos mais sofisticados aumentam a dependência de uma base bem estruturada. Quando essa base não acompanha, o ganho analítico não se transforma em resultado. Fica restrito a iniciativas específicas, que funcionam sob controle, mas não se sustentam quando expostas à operação.
Não surpreende, portanto, que tantos projetos não avancem além do piloto. Eles mostram potencial, mas não encontram sustentação para evoluir. Falta consistência para repetir, integrar e escalar o que foi desenvolvido sem depender de ajustes a cada nova aplicação.
Organizar dados deixa de ser uma etapa inicial e passa a ser o próprio ponto de partida. Não se trata apenas de estruturar informação, mas de garantir coerência entre áreas, continuidade nas análises e capacidade de reaproveitar o que já foi construído. É isso que sustenta operações mais previsíveis e permite que a inteligência deixe de ser pontual.
Quando esse trabalho é feito com rigor, os efeitos aparecem de forma direta: menos retrabalho, menos ambiguidade e maior alinhamento interno. A empresa passa a operar com mais clareza e cria condições reais para ampliar o uso de IA sem depender de exceções ou iniciativas isoladas.
À medida que modelos avançados se tornam mais acessíveis, a diferença entre as empresas deixa de estar apenas na adoção da tecnologia e passa a depender da capacidade de construir uma base confiável, integrada e reutilizável. No fim, a vantagem competitiva não estará em quem experimenta mais IA, mas em quem consegue transformar dados organizados em capacidade contínua de execução e escala.
Filipe Cotait é CEO da Stefanini Data & Analytics

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#analytics#governanca#grandes modelos de IA#modelos de IA

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