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IA domina grande parte da campanha eleitoral, diz a Reuters

Reportagem da agência de notícias afirma que a justiça brasileira corre contra o tempo para combater deepfakes e outras mensagens mentirosas

08/09/2026Por Ricardo Marques da Silva

IA domina grande parte da campanha eleitoral, diz a Reuters
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“O Brasil corre contra o tempo para controlar a inteligência artificial semanas antes das eleições”: foi com esse título que a agência de notícias britânica Reuters publicou uma reportagem em seu site global para abordar o esforço desenvolvido pela justiça eleitoral do país na tentativa de conter deepfakes e outras mensagens falsas que vêm sendo divulgadas em grande escala pelas campanhas de candidatos à presidência. O texto citou, especialmente, relatórios de órgãos de fiscalização que indicam o impacto limitado das regulamentações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com a reportagem, a IA está dominando grande parte da campanha digital. “Políticos alinhados aos candidatos que lideram as pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, compartilharam centenas de publicações em redes sociais formalmente rotuladas como geradas por IA durante um período de 15 dias, segundo o Instituto Democracia em Xeque”, observou.

Um dos casos destacados foi o avatar de IA generativa do ex-presidente Jair Bolsonaro, “que está em prisão domiciliar e proibido de se dirigir ao público”, mostrado no lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo a Reuters, o episódio levantou questões sem precedentes relacionadas ao uso da IA ​​nas eleições e deu uma ideia dos desafios que o TSE enfrenta para impedir que as novas tecnologias prejudiquem a integridade do processo eleitoral.

A agência de notícias afirmou: “Embora a campanha de Lula evite amplamente o conteúdo gerado por IA, a equipe de Bolsonaro o adotou. Bolsonaro compartilhou, por exemplo, pelo menos uma música de campanha produzida por IA, bem como um vídeo dele e de seu vice como bonecos dançantes. Quando Bolsonaro compartilhou uma animação em IA de si mesmo como um homem sarado de sunga, uma enxurrada de memes surgiu rapidamente”.

Como a IA já é usada por 75% dos brasileiros, segundo pesquisa do Observatório da Fundação Itaú citada pela reportagem, a tecnologia teria o poder de influenciar os eleitores de diversas maneiras, por meio recursos como depoimentos falsos sobre candidatos e pesquisas eleitorais manipuladas. “Outra área de preocupação envolve chatbots que tentam influenciar eleitores. Uma pesquisa realizada pelo Projeto Brief mostrou que quase 63% dos eleitores estavam dispostos a consultar ferramentas de IA sobre candidatos.

As regras do TSE para 2026 incluem a proibição de sistemas de IA generativa, como o ChatGPT, recomendarem ou classificarem candidatos, mesmo quando os usuários o solicitam explicitamente. Um estudo do ITS Rio, no entanto, constatou que sete dos chatbots mais utilizados no Brasil classificaram ou ordenaram candidatos em 90% de suas respostas”, acrescentou a Reuters.

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