ANPD alerta para o risco crescente de deepfakes nas eleições
Fraudes com IA aumentaram 126% no Brasil em um ano, e o país concentra quase 39% dos casos detectados na América Latina
04/08/2026Por Ricardo Marques da Silva17/08/2026Por Ricardo Marques da Silva

* Foto: apresentadores criados por IA
Já não é novidade o uso de personagens gerados por IA em noticiários e programas de TV, e alguns se tornaram conhecidos, como a “apresentadora” Alba Renay, lançada há mais de dois anos pelo canal espanhol Telecinco e pioneira em seu país. Na maioria dos casos, os bots são claramente identificados como uma criação de IA e foram bem aceitos pelos espectadores, chegando ao ponto de conquistarem milhares de seguidores nas redes sociais.
Agora, porém, as novas e avançadas ferramentas de IA estão permitindo que âncoras virtuais cheguem a outro nível, representando falsos canais de TV na internet e divulgando notícias mentirosas que, graças ao extremo realismo proporcionado pela tecnologia, enganam e muitas vezes alarmam o público. Muitos desses “noticiários” são criados com o Veo 3.1, o software de geração de vídeo com IA do Google DeepMind.
“Num gesto impressionante, o Canadá declarou guerra aos Estados Unidos. Vamos passar a Joe Braxton, que está ao vivo na fronteira entre os dois países”, diz uma apresentadora de um suposto noticiário norte-americano, num vídeo que se espalhou pelas redes sociais, do TikTok ao X e ao Facebook, e foi usado como exemplo do problema em uma reportagem da rede de notícias europeia Euronews. À primeira vista é fácil acreditar que a notícia seja real, e o Google explica a razão disso na apresentação do Veo 3.1: “Transforme textos ou imagens em vídeos cinematográficos de alta qualidade com o modelo Veo 3.1 do Google. Projetado para narrativas visuais envolventes, ele oferece movimentos naturais, alta nitidez e som perfeitamente sincronizado”.
O resultado ultra-realista preocupa principalmente nos período de campanhas eleitorais e, no Brasil, é facilmente previsível que a internet seja invadida por vídeos semelhantes nos próximos meses. De acordo com a Euronews, alguns indicadores podem ajudar os usuários a descobrir se um vídeo foi ou não gerado por IA, e uma pista são os microfones empunhados pelos “repórteres”, que geralmente mostram apenas o termo “News”, notícias, sem a identificação do canal de TV.
Além disso, muitas vezes as imagens no fundo da tela não correspondem à notícia: “A IA não é capaz de distinguir o que torna uma série de letras legível porque se concentra principalmente nos padrões visuais e não no significado semântico do texto. Por sua vez, gera frequentemente textos confusos”, explica a Euronews. Em qualquer caso, o mais seguro é confirmar toda notícia suspeita em uma fonte realmente confiável e não compartilhar o que não possa ser autenticado.
#âncoras virtuais#campanhas eleitorais#fake news#falsos apresentadores#informações mentirosas#notícias falsas

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