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28/07/2026Por Ricardo Marques da Silva11/09/2026Por Ricardo Marques da Silva

Um ano e meio atrás, o gerente de atendimento Rhys Hibbert, morador em Bedfordshire, Inglaterra, se sentia saudável e em boa forma e caminhava 3 quilômetros todos os dias na hora do almoço. Numa dessas caminhadas, ele perdeu a consciência e começou a ter convulsões, e logo depois uma tomografia cerebral revelou a existência de um tumor não canceroso de 11 mm na glândula pituitária, muito perto das artérias carótidas que fornecem sangue ao cérebro e dos nervos ópticos que controlam a visão.
Novos exames mostraram que o tumor estava escondido atrás de camadas de osso e de uma membrana resistente, o que requeria procedimentos complicados e com uma dose de risco preocupante. Ele já começava a perder a visão periférica quando cirurgiões do hospital do University College London (UCL) lhe ofereceram a opção de ser a primeira pessoa a experimentar uma cirurgia guiada por uma ferramenta de IA personalizada que eles haviam desenvolvido, e Hibbert não hesitou.
E assim ele se tornou o primeiro paciente a ser submetido a uma cirurgia no cérebro, ao vivo, com o auxílio da IA. A operação consistiu na inserção pelo nariz de uma câmera fina chamada endoscópio, até a base do crânio. A ferramenta de IA analisou a transmissão de vídeo da cirurgia em tempo real e orientou os médicos a evitar, no cérebro, os vasos sanguíneos e nervos cruciais, porém ocultos. Isso permitiu que os cirurgiões removessem com segurança a maior parte possível do tumor.
Em uma segunda tela, o sistema de IA assistiu à transmissão de vídeo ao vivo, rastreou os instrumentos cirúrgicos e marcou as áreas onde era mais provável encontrar vasos sanguíneos e nervos, destacando os pontos mais seguros para remover o tumor.
Uma semana depois da intervenção, Hibbert já caminhava sozinho, sem óculos ou bengalas: “Sinto como se tivesse uma visão panorâmica de 360 graus de tudo ao meu redor, algo que não experimentava há mais de um ano”, disse ele em uma entrevista ao site do UCL.
Os pesquisadores britânicos treinaram e avaliaram o sistema de IA com o uso de milhares de vídeos de remoção de tumores na hipófise, desenhando cuidadosamente o contorno dos vasos sanguíneos e nervos para ajudar o sistema a capturar dados e começar a reconhecer as estruturas mais importantes. “Nossa IA é treinada em mais operações do que a maioria dos cirurgiões vê ou realiza em toda a sua vida e pode atuar como um segundo par de olhos especializado”, disse o professor Hani Marcus, que participou do procedimento, ao lado de Danyal Khan, que liderou o projeto.
Hoje, aos 48 anos e pai de dois filhos, Rhys Hibbert questiona: “Se os pacientes não estiverem dispostos a participar de pesquisas como essa, como os médicos poderão aprender e como a medicina poderá progredir?”. Ele contou ainda que sua visão está melhorando a cada dia: “Também recuperei minha energia, e todos os efeitos colaterais que eu estava sofrendo antes da cirurgia desapareceram. Isso me devolveu a vida”, acrescentou.
#cirurgia no cérebro#cirurgia pioneira#glândula pituitária#tumor não canceroso

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