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IA ajuda a salvar a visão de paciente em cirurgia pioneira

Um britânico de 48 anos foi a primeira pessoa a ser submetida a uma intervenção no cérebro ao vivo com o auxílio da tecnologia

11/09/2026Por Ricardo Marques da Silva

IA ajuda a salvar a visão de paciente em cirurgia pioneira
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Um ano e meio atrás, o gerente de atendimento Rhys Hibbert, morador em Bedfordshire, Inglaterra, se sentia saudável e em boa forma e caminhava 3 quilômetros todos os dias na hora do almoço. Numa dessas caminhadas, ele perdeu a consciência e começou a ter convulsões, e logo depois uma tomografia cerebral revelou a existência de um tumor não canceroso de 11 mm na glândula pituitária, muito perto das artérias carótidas que fornecem sangue ao cérebro e dos nervos ópticos que controlam a visão.

Novos exames mostraram que o tumor estava escondido atrás de camadas de osso e de uma membrana resistente, o que requeria procedimentos complicados e com uma dose de risco preocupante. Ele já começava a perder a visão periférica quando cirurgiões do hospital do University College London (UCL) lhe ofereceram a opção de ser a primeira pessoa a experimentar uma cirurgia guiada por uma ferramenta de IA personalizada que eles haviam desenvolvido, e Hibbert não hesitou.

E assim ele se tornou o primeiro paciente a ser submetido a uma cirurgia no cérebro, ao vivo, com o auxílio da IA. A operação consistiu na inserção pelo nariz de uma câmera fina chamada endoscópio, até a base do crânio. A ferramenta de IA analisou a transmissão de vídeo da cirurgia em tempo real e orientou os médicos a evitar, no cérebro, os vasos sanguíneos e nervos cruciais, porém ocultos. Isso permitiu que os cirurgiões removessem com segurança a maior parte possível do tumor.

Em uma segunda tela, o sistema de IA assistiu à transmissão de vídeo ao vivo, rastreou os instrumentos cirúrgicos e marcou as áreas onde era mais provável encontrar vasos sanguíneos e nervos, destacando os pontos mais seguros para remover o tumor.

Uma semana depois da intervenção, Hibbert já caminhava sozinho, sem óculos ou bengalas: “Sinto como se tivesse uma visão panorâmica de 360 ​​graus de tudo ao meu redor, algo que não experimentava há mais de um ano”, disse ele em uma entrevista ao site do UCL.

Os pesquisadores britânicos treinaram e avaliaram o sistema de IA com o uso de milhares de vídeos de remoção de tumores na hipófise, desenhando cuidadosamente o contorno dos vasos sanguíneos e nervos para ajudar o sistema a capturar dados e começar a reconhecer as estruturas mais importantes. “Nossa IA é treinada em mais operações do que a maioria dos cirurgiões vê ou realiza em toda a sua vida e pode atuar como um segundo par de olhos especializado”, disse o professor Hani Marcus, que participou do procedimento, ao lado de Danyal Khan, que liderou o projeto.

Hoje, aos 48 anos e pai de dois filhos, Rhys Hibbert questiona: “Se os pacientes não estiverem dispostos a participar de pesquisas como essa, como os médicos poderão aprender e como a medicina poderá progredir?”. Ele contou ainda que sua visão está melhorando a cada dia: “Também recuperei minha energia, e todos os efeitos colaterais que eu estava sofrendo antes da cirurgia desapareceram. Isso me devolveu a vida”, acrescentou.

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#cirurgia no cérebro#cirurgia pioneira#glândula pituitária#tumor não canceroso

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