IA ainda tem baixo impacto nas decisões das empresas, diz pesquisa
Apesar dos bilhões investidos, um novo estudo da FICO mostra que 71,5% das ações com impacto no cliente ainda são tomadas sem o uso da inteligência artificial
14/10/2026Por Daniel dos Santos

Nos últimos anos, muito tem se falado em inteligência artificial e sobre seus diversos usos. Porém, uma nova pesquisa divulgada pela FICO (empresa da área de software para analytics) mostra que, apesar dos bilhões investidos nessa tecnologia, ela ainda tem baixo impacto na hora que os executivos precisam tomar decisões. De acordo com o estudo, 71,5% das decisões com impacto no cliente ainda são tomadas sem o uso da IA. Para completar, apenas 5,2% dos entrevistados se sentem muito confiantes para explicar decisões orientadas por inteligência artificial.
“As empresas estão apenas começando a explorar as possibilidades, por isso, suas expectativas ainda são baixas. O que quero dizer é que, como as expectativas foram atendidas — por exemplo, ao fornecer aos funcionários uma ferramenta que auxilia na redação de e-mails ou no gerenciamento de agendas —, o nível de expectativa permanece relativamente modesto”, afirma Scott Zoldi (foto), Chief Analytics Officer da FICO. O mesmo relatório aponta que 71,5% das decisões que impactam o consumidor não utilizam IA de forma alguma.
“Ao analisar esses números, percebo que as empresas se sentem atraídas pela IA. Elas enxergam uma oportunidade de ganhar eficiência, pensam que não precisam de tantos funcionários, que podem usar a inteligência artificial e melhorar a condução do negócio. Mas elas ainda não evoluíram para o patamar de gerar um valor realmente expressivo”, destaca o executivo.
“Mas o verdadeiro valor reside em tomar decisões melhores que impactem o cliente. É aí que notamos uma parcela ínfima utilizando agentes — embora todos estejam experimentando, ainda há o desafio do controle”, completa Zoldi. Segundo o executivo, o foco tem sido economizar dinheiro ou tornar a empresa mais eficiente por meio da IA.
Embora 85,1% dos entrevistados afirmem que a IA atendeu ou superou suas expectativas de ROI, a maior parte das decisões empresariais ainda depende de processos legados: julgamento humano (33,3%), sistemas baseados em regras (21,4%) e ferramentas de analítica tradicional (16,8%). Segundo a FICO, reduzir essa lacuna exige práticas responsáveis que ampliem a confiança na IA e permitam que a tecnologia assuma um papel mais relevante em decisões que ainda dependem de julgamento humano e regras preestabelecidas.
A regulamentação de IA avança em todo o mundo, com formuladores de políticas propondo estruturas que exigem adoção de práticas de IA responsável. Ainda assim, é pequeno o grupo de líderes que se sente muito confiante para explicar essas decisões a reguladores e clientes, enquanto mais de um terço (37,3%) se declara neutro ou nada confiante. Se essa lacuna não for enfrentada, as organizações podem perder a confiança de reguladores e clientes.
O estudo 2026 State of Responsible AI foi desenvolvido em colaboração com a Corinium Global Intelligence e analisa como as organizações estão avançando na adoção de práticas de IA responsável, os primeiros resultados obtidos com a tecnologia e os desafios que ainda precisam ser superados para aproveitar todo o seu potencial.
O levantamento deste ano entrevistou 1.004 líderes seniores das áreas de tecnologia, dados e risco, incluindo CTOs, CIOs, Chief Data Officers, Chief Digital Officers, Chief Analytics Officers, Chief AI Officers, Chief Risk Officers e executivos em nível de VP/SVP/EVP em analítica, dados e IA, em sete setores. A amostra representa uma expansão em relação a relatórios anteriores, que entrevistaram executivos do C-suite no setor de serviços financeiros. O grupo de entrevistados é global, com dois terços baseados na América do Norte.