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26/10/2026Por Redação27/10/2026Por Ricardo Marques da Silva


Capa da edição francesa do livro
Em uma decisão sem precedentes, a editora canadense Éditions du Boréal, de Montreal, rompeu a relação profissional que mantinha com o escritor Thélyson Orélien, nascido no Haiti e radicado em Quebec, sob a alegação de uso de inteligência artificial no processo de escrita do romance C’était ça ou mourir, publicado em março deste ano no Canadá e em agosto na França. O livro estava inscrito no Prêmio Goncourt e seu lançamento foi suspenso em alguns países depois da divulgação da polêmica.
Em um comunicado à imprensa, a editora afirmou que novas informações, confirmadas nos últimos dias, indicaram o uso de IA: “Consequentemente, a Boréal não reimprimirá o romance nem publicará quaisquer outros livros de Thélyson Orélien”, disse.
C’était ça ou mourir (Era isso ou morrer, em tradução livre) conta a história de Jonas Dorléon, um professor haitiano que foge de seu país com a intenção de chegar ao Canadá para recomeçar a vida, como ocorreu com o próprio autor depois do terremoto de 2010. Nessa jornada, o personagem cruza a América Latina, o México e os Estados Unidos.
A polêmica começou quando análises de metadados sugeriram o uso de IA na elaboração do texto, acrescido de denúncias de plágio. Orélien negou as acusações, que chamou de “calúnias e heresias”, e admitiu que usou ferramentas de IA “aqui e ali” apenas na fase de pesquisa. Afirmou, porém, que o texto, a estrutura do livro e o enredo surgiram diretamente do seu instinto.
Sem citar detalhes, uma reportagem da Reuters afirmou que o romance de Orélien “ganhou diversos prêmios literários e estava prestes a ser traduzido para vários idiomas antes que uma conta pouco conhecida do X afirmasse, no mês passado, que ele foi escrito quase inteiramente com inteligência artificial”.
De acordo com a editora, houve uma tentativa de trabalhar com Orélien na elaboração de um registro que documentasse seu processo criativo, a fim de demonstrar que as alegações a respeito do uso de IA não tinham fundamento. Como esses esforços não tiveram sucesso, a Éditions du Boréal encomendou uma análise externa do romance e concluiu que havia vestígios de marcadores de IA nos metadados de alguns trechos.
Segundo a editora, é impossível provar definitivamente que um texto foi escrito por IA, mas há, sobretudo, a questão da necessidade de confiança absoluta no relacionamento, que teria deixado dúvida. De qualquer maneira, pediu que as pessoas parassem com os ataques pessoais contra Orélien. “Como afirmamos desde o início, além do livro e da controvérsia, existe, antes de tudo, um ser humano”, acrescentou.
#marcadores de IA#metadados#plágio#Thélyson Orélien

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