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Hacker chinês consegue invadir sites de mais de 100 empresas

Reportagem exclusiva da Reuters contou como agentes de IA foram usados para romper as protocolos de segurança por meio da plataforma Cairn

21/10/2026Por Ricardo Marques da Silva

Hacker chinês consegue invadir sites de mais de 100 empresas
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Um hacker chinês usou agentes de IA para invadir os sites de mais de 100 empresas, a maioria não identificada, mas também os de gigantes norte-americanos como a fabricante de motores Cummins, a indústria de eletrodoméstico SharkNinja e a Deere, do setor de máquinas para o agronegócio. O incidente foi relatado com exclusividade pela Reuters na terça-feira, 20, com base em informações fornecidas por Snorre Fagerland, pesquisador de ameaças da empresa de cibersegurança NorForge.

Foi Fagerland quem descobriu o ciberataque, ao navegar pela internet em busca de áreas inadvertidamente expostas no Cairn, uma plataforma de IA de código aberto popular entre hackers. Ele identificou mais de 1.200 tentativas de invasão de agentes de IA, das quais uma parte atingiu o grupo de empresas.

“Em um momento de crescente preocupação com o poder das ferramentas autônomas de IA, Fagerland afirmou que sua descoberta era uma prova concreta de que agentes de IA disponíveis comercialmente poderiam realizar intrusões complexas do início ao fim sem intervenção humana, um aumento drástico no poder de um único agente malicioso”, alertou a Reuters.

A agência de notícias britânica tentou entrar em contato com algumas das empresas afetadas, e a Deere disse que tomou as medidas corretivas necessárias e não há indícios de que informações sensíveis tenham sido comprometidas. A SharkNinja informou que o ataque atingiu um site independente que continha apenas dados de produtos e que a ameaça já havia sido contida, enquanto a Cummins respondeu que estava investigando a denúncia de um possível ataque cibernético a um site operado por um de seus fornecedores terceirizados.

As invasões bem-sucedidas envolveram cerca de 23 horas de busca e exploração de vulnerabilidades, e Fagerland disse que, aparentemente, os hackers usaram uma combinação das IAs DeepSeek, da China, e Claude, da Anthropic, tendo consumido aproximadamente US$ 5 mil em tokens, ou cerca de US$ 50 por ataque completado. Um dos hackers roubou um grande volume de dados de cartões de crédito e outro tentou usar agentes de IA para assaltar uma corretora de criptomoedas.

“É um mundo novo”, afirmou Fagerland, ao comentar o poder crescente dos agentes de IA autônomos. Ele ficou impressionado com algumas das técnicas usadas para comprometer a vítimas e, em um dos casos, depois de não encontrarem vulnerabilidades no aplicativo público de uma grande empresa, os agentes vasculharam registros digitais em busca da infraestrutura associada, localizaram um painel de controle, descobriram uma falha sutil na forma como os dados eram processados e a exploraram para enganar o servidor e fazê-lo executar comandos maliciosos. “Isso não é coisa de amador”, acrescentou Fagerland.

A Reuters concluiu: “Agentes de IA estão se tornando cada vez mais comuns no submundo do cibercrime. Em agosto, a empresa israelense Gambit Security descobriu que extorsionistas de língua russa haviam usado a ferramenta de IA Cursor da SpaceX para invadir sete organizações. Em setembro, a Gambit documentou uma onda de ataques impulsionada por agentes de IA que resultou em violações de segurança em 25 empresas e no roubo de pelo menos 600 mil registros de cartões de crédito. Na semana passada, a empresa de inteligência cibernética Bitsight afirmou que as discussões sobre como usar agentes autônomos estavam aumentando nos fóruns de cibercriminosos”.

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