AiotAiot


Falha permite violação no Spotify com música feita por IA

Jornalista do 404 Media conseguiu publicar uma composição criada no Udio como se fosse da banda punk Lathe of Heaven

21/09/2026Por Ricardo Marques da Silva

Falha permite violação no Spotify com música feita por IA
Tamanho fonte

Há pouco mais de uma semana, fãs da banda punk Lathe of Heaven, de Nova York, se surpreenderam com o lançamento de Riding High, uma música que não havia sido anunciada, parecia muito diferente do estilo do grupo e a voz não era a do vocalista Gage Allison. A estranheza se justificava e tinha uma explicação: a faixa era inteiramente falsa e foi gerada por inteligência artificial pelo jornalista de tecnologia Emanuel Maiberg, para provar como é fácil enganar as pessoas e ganhar dinheiro.

Tudo foi esclarecido quando, alguns dias depois, Maiberg publicou uma reportagem no site de jornalismo investigativo 404 Media com o título “Eu invadi o Spotify de um artista de verdade com música de IA. Foi assustadoramente fácil”. Ele explicou: “A banda Lathe of Heaven não compôs, interpretou ou lançou Riding High. Eu criei a música com um simples comando dado ao gerador de música por IA Udio e consegui lançá-la na página oficial da Lathe of Heaven no Spotify, bem como em suas páginas na Apple Music, no Tidal e na Amazon Music, sem o conhecimento do grupo”.

Música criada por IA já não é novidade, mas o que Maiberg destacou é a recorrência desse recurso para ganhar dinheiro às custas de artistas reais. Ele afirmou que quem produz música de baixa qualidade com IA agora está abusando dessa “brecha gritante na forma como a música é distribuída digitalmente para as plataformas de streaming” e mostrou, passo a passo, como o processo é simples.

Depois de gerar a música no Udio, ele pediu ao ChatGPT que desenhasse a capa do álbum e criou uma conta na distribuidora de música digital DistroKid, mediante o pagamento de US$ 3,75 por mês. Em seguida, bastou enviar a faixa e preencher um questionário curto para que a DistroKid encontrasse automaticamente as páginas existentes da Lathe of Heaven nas plataformas Spotify, Tidal, Apple Music e Amazon. “Então me perguntaram se era essa a minha banda e pediram informações que as plataformas de streaming de música exigem, como quem compôs a música, quem a produziu e a gravadora. Coloquei meu nome verdadeiro em todos os campos e listei a 404 Records como a gravadora. E pronto”, contou Maiberg.

De acordo com o jornalista, quando alguém clica em uma dessas músicas, esperando ouvir o artista real, o golpista coleta os royalties gerados pelos streams. “Vários casos desse golpe já foram documentados, mas o 404 Media conseguiu identificar e replicar a brecha exata que estão explorando. Foi muito fácil, e nem as plataformas de streaming nem as distribuidoras de música digital estão assumindo a responsabilidade pelo problema”, afirmou.

Entre os alvos mais visados para o golpe estão artistas menos conhecidos ou que já faleceram, em vez de músicos famosos, embora estes também possam ser afetados. Ao responder à reportagem do 404 Media, o Spotify disse que perfis que não são gerenciados ativamente podem ser especialmente vulneráveis, o que significa que, se alguém não estiver monitorando constantemente a página nas plataformas, o risco aumenta.

Um dia depois do contato com a DistroKid, Riding High já havia aparecido nas páginas reais do Lathe of Heaven nas plataformas Spotify, Amazon Music, Apple Music, Tidal e Deezer. Emanuel Maiberg então fez contato com a banda e recebeu esta resposta do vocalista Gage Allison: “Acabei de ouvir a música. É horrível. O fato de vocês terem conseguido fazer isso é insano”.

Imagem da faixa falsa no Spotify/Reprodução 404 Media

TAGS

#gerador de música por IA#música feita por IA#plataformas de streaming#royalties#Spotify#Udio

COMPARTILHE

Notícias Relacionadas