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Estilistas criam roupas que confundem a identificação por IA

Marcas de moda lançam “padrões adversários” que destacam a importância da privacidade e do sentimento de antivigilância

21/07/2026Por Ricardo Marques da Silva

Estilistas criam roupas que confundem a identificação por IA
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*Foto: roupas criadas pela Cap_able/Divulgação

Roupas de combate, ou padrões adversários: é assim que está sendo chamada uma tendência em moda lançada por jovens estilistas britânicos como uma reação à proliferação de câmeras com inteligência artificial instaladas em lugares públicos no Reino Unido. Eles dizem que, além de oferecerem certo grau de proteção contra a vigilância policial, suas criações transmitem uma mensagem poderosa a respeito da importância da privacidade e contra o controle estatal.

O tema foi abordado em uma reportagem recente do jornal inglês The Guardian, que citou como exemplo marcas como a Urban Privacy, a Cap_able e a Vollebak. De acordo com especialistas, o nível de eficácia dos padrões em confundir as câmeras com IA generativa depende do sistema de vigilância e das condições em que é utilizado.

A moda reflete a insatisfação de parte dos britânicos com os novos sistemas de visão computacional, que conseguem identificar rostos, seguir indivíduos e pesquisar imagens em grande escala, às vezes com viés racista. Segundo o Guardian, há evidências de uso indevido dos sistemas, que são mais propensos a identificar incorretamente pessoas negras e asiáticas, o que tem gerado uma crescente preocupação. Uma pesquisa recente mostrou que quase 60% dos britânicos acreditam que o reconhecimento facial é “mais um passo para transformar o Reino Unido em uma sociedade de vigilância”.

As “roupas de combate” não contam apenas com os padrões cuidadosamente elaborados de formas, cores e motivos repetidos que exploram as fragilidades de alguns sistemas de visão computacional. Daniel Preuß, cofundador da marca Urban Privacy, explicou que as novas tecnologias permitem combinar um estilo marcante com “proteção invisível”, como o casaco Urban Ghost, que integra LEDs que emitem luz infravermelha para ofuscar câmeras de vigilância com visão noturna.

Preuß disse que fundou a Urban Privacy depois das acusações de Edward Snowden contra a NSA, a agência de vigilância do governo dos Estados Unidos, e a ideia era explorar o fato de que os sistemas de reconhecimento facial entram em pânico quando veem vários rostos ao mesmo tempo. “Nossos padrões brincam com esse caos, confundem os algoritmos e tornam muito mais difícil identificar a pessoa”, afirmou.

Nick Tidball, cofundador da Vollebak, é mais realista e previu que a popularização da moda antivigilância vai depender menos dos estilistas e mais dos governos: “Se essas roupas realmente se mostrarem eficazes, podem se tornar um tema político muito rapidamente. E podem acabar sendo proibidas”.

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