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IA treinada com dados do Pokémon Go pode ser arma de guerra

Informações de localizações enviadas pelos jogadores teriam sido usadas no treinamento de drones que atuam em áreas sem GPS

17/06/2026Por Ricardo Marques

IA treinada com dados do Pokémon Go pode ser arma de guerra
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O que foi projetado apenas como uma diversão inofensiva pode se tornar uma ajuda importante a drones militares em zonas de guerra. É o que está acontecendo com o Pokémon Go, um game de realidade aumentada de origem japonesa lançado em 2016, muito popular, que desafiava os jogadores a encontrar e capturar as pequenas criaturas no mundo real usando as câmeras de seus celulares.

Dois anos depois do lançamento, já haviam sido registrados mais de 800 milhões de downloads do jogo em todo o mundo, o que dá ideia da quantidade de imagens capturadas pelos usuários e, evidentemente, guardadas nos servidores da Niantic, a criadora do Pokémon, em parceria com a Nintendo. Esse arquivo cresceu ainda mais a partir de 2021, quando uma atualização do game introduziu os PokéStops, que davam recompensas a quem gravasse lugares reais usando seus celulares.

Agora, de acordo com o jornal britânico The Guardian, esse imenso volume de dados está sendo usado para treinar drones que atuam em conflitos em regiões sem cobertura de GPS. The Guardian se baseou em uma reportagem do site DroneXL, segundo o qual 30 bilhões de varreduras ambientais feitas pelos jogadores agora pertencem à Niantic Spatial, uma empresa derivada da Niantic. “Centenas de milhões de jogadores de Pokémon Go passaram anos filmando as ruas, parques e prédios ao seu redor para ganhar recompensas no jogo. E não faziam a menor ideia de que isso poderia acontecer”, disse o site.

Em dezembro, segundo The Guardian, a Niantic Spatial anunciou um acordo com a Vantor, empresa especializada em software de detecção espacial para drones, incluindo os que são usados ​​por forças militares. “A parceria visa solucionar vulnerabilidades críticas nas operações modernas: indisponibilidade de GPS, falsificação, interferência e bloqueio. Quando os sinais de satélite são comprometidos, os sistemas autônomos e as equipes de campo perdem a capacidade de se orientar, coordenar ou manter uma consciência situacional precisa”, informou a Niantic Spatial.

A empresa negou que as varreduras terrestres do Pokémon Go tenham sido fornecidas à Vantor, mas admitiu que foram usadas para treinar os modelos básicos da Niantic. “As digitalizações de realidade aumentada coletadas por meio do Pokémon Go foram enviadas voluntariamente pelos jogadores que optaram por usar o recurso e estavam sujeitas aos termos de serviço e à política de privacidade aplicáveis ​​na época”, disse ao Guardian o porta-voz da Niantic Spatial.

Para alguns especialistas, o uso de dados civis para fins militares é, no mínimo, preocupante. Tom Sulston, chefe de políticas do Digital Rights Watch, afirmou: “Embora possa haver avisos legais nos termos e condições, sabemos que a maioria das pessoas não lê documentos jurídicos extensos quando quer jogar um videogame. É preciso que os órgãos reguladores se concentrem no melhor interesse do usuário ou em testes justos e razoáveis para proteger as pessoas de explorações como essa”.

O problema aumenta ainda mais quando se sabe que, em fevereiro, a Vantor anunciou um acordo com o Exército dos Estados Unidos de até US$ 217 milhões para o fornecimento de software de treinamento. Além disso, em 2025 a Niantic vendeu sua divisão de videogames para a Scopely, empresa de propriedade saudita, por US$ 3,5 bilhões.

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#áreas sem GPS#arma de guerra#Pokémon Go#realidade aumentada#treinamento de drones

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