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Avança a onda de repúdio ao uso de “óculos espiões” com IA

Um número crescente de bares e restaurantes do Reino Unido proíbe o uso do dispositivo para evitar invasão de privacidade

11/08/2026Por Ricardo Marques da Silva

Avança a onda de repúdio ao uso de “óculos espiões” com IA
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Lançada recentemente por meio de uma campanha de impacto com a influenciadora Kylie Jenner, a nova linha de óculos inteligentes da Meta parecia ser a evolução natural da série Ray-Ban, que vendeu mais de 7 milhões de pares em 2025. Porém, justamente por causa de funcionalidades como minúsculas câmeras de gravação embutidas, os dispositivos se tornaram alvo de protestos relacionados a invasão de privacidade e estão sendo proibidos em locais como bares, restaurantes e teatros.

A onda cresce particularmente no Reino Unido, onde são chamados de “óculos espiões” e banidos tanto em restaurantes sofisticados como em redes populares de pubs e em teatros, para preservar clientes e funcionários. O receio é que smart glasses como os da Meta sejam usados ​​para filmar pessoas sem o seu consentimento, para publicação do conteúdo nas redes sociais.

Num dos casos denunciados, uma mulher disse à BBC que um homem puxou conversa com ela em um shopping, a filmou com os óculos e depois exigiu dinheiro para remover os vídeos, que foram vistos mais de 40 mil vezes. Outra mulher contou que foi filmada durante encontros sexuais, sem o seu consentimento, e o aumento das queixas levou as pessoas a questionarem a evidente invasão de privacidade induzida pelos óculos com câmeras.

O jornal britânico The Guardian lembrou que, embora a Meta afirme que os óculos têm uma pequena luz LED intermitente que é ativada quando estão sendo usados ​​para filmar, multiplicam-se os casos de pessoas que se queixam de terem sido gravadas sem saber. A reação de alguns bares, restaurantes e hotéis foi simplesmente proibir o uso dos óculos inteligentes.

Jeremy King, dono de estabelecimentos londrinos conhecidos, como o Simpsons in the Strand, o Arlington e o The Park, foi um dos que adotaram essa prática: “Eu jamais permitiria, conscientemente, qualquer invasão da privacidade dos clientes, exceto com os olhos com os quais nascemos”, disse ele ao Guardian. Os clubes privados da Soho House também seguiram o exemplo e proibiram os óculos.

A rede de pubs Wetherspoons foi pelo mesmo caminho e Tim Martin, diretor executivo do grupo, afirmou: “O código geral que se aplica aos nossos pubs, e à maioria dos outros, é que não se pode filmar clientes ou funcionários sem a permissão expressa deles. Os óculos da Meta parecem violar esse código e o bom senso, ao permitirem a vigilância clandestina. Então nosso instinto é dizer para desligarem as câmeras. Isso é semelhante aos nossos esforços para impedir a reprodução de vídeos com áudio em nossos pubs, o que também invade o espaço das pessoas”.

Um porta-voz da ATG Theatres, proprietária do Bristol Hippodrome, do Edinburgh Playhouse e de vários outros teatros em Londres, também informou que as filmagens não são permitidas e quem estiver usando os óculos durante as apresentações “será solicitado a retirá-los”.

Kylie Jenner e Mark Zuckerberg/Reprodução Instagram

 

Smart glasses Meta/Reprodução Instagram

TAGS

#invasão de privacidade#óculos com câmeras#óculos espiões#óculos inteligentes#smart glasses#vigilância clandestina

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