Sem infraestrutura, não há IA: por que GPUs viraram prioridade nas empresas
Empresas que quiserem transformar IA em vantagem competitiva precisarão olhar para a base tecnológica que sustenta esses projetos
08/04/202616/04/2026

Por Emerson Murakami*
Tenho refletido profundamente sobre o papel da consultoria de tecnologia nos últimos anos. Não por uma questão teórica, mas pelo lado prático. E, infelizmente, minha conclusão é desconfortável: uma parte relevante da consultoria deixou de gerar valor real há muito tempo e a IA tornou impossível que a gente ignore esse problema.
Durante décadas, o modelo tradicional funcionou, pois as consultorias estruturavam análises, organizavam problemas complexos e entregavam recomendações impecáveis. Havia valor nisso. Com o passar do tempo, notei projetos concentrados em diagnósticos sofisticados, apresentações extensas e planos detalhados, enquanto a execução ficava para um momento posterior (ou para outras áreas).
Aqui eu vejo que o modelo tradicional colapsa. Na prática, grande parte do modelo de consultoria de tecnologia permanece com projetos ainda estruturados em torno de equipes, entregáveis e ciclos de implementação. Em muitos casos, o projeto não se desenvolvia no ritmo que o negócio exigia.
Tenho a certeza que esse é um modelo que não se sustenta, pois está claro para mim que as empresas querem resolver esse problema. Elas não buscam um plano perfeito para o amanhã, mas um impacto no presente.
O fim da era do “PowerPoint estático”: da co-criação superficial à simbiose real
A chegada da IA mudou a relação de forma definitiva. Ela ataca diretamente a base do valor vendido pela consultoria tradicional de tecnologia:
Isso me força a uma pergunta incômoda, porém estratégica: se o acesso ao conhecimento e à análise foi democratizado, onde está o verdadeiro valor da consultoria? Na minha visão, o valor está na capacidade de transformar o conhecimento em resultado.
Para a transformação acontecer, sempre acreditei na co-criação, mas precisamos admitir que esse termo foi utilizado de forma superficial por muito tempo. A co-criação não é um conjunto de workshops e post-its coloridos. A co-criação que faz diferença é outra: quando a empresa demanda o que nenhuma consultoria consegue replicar sozinha (o contexto profundo, as restrições e as prioridades reais).
Foi a partir dessa leitura que identifiquei que a consultoria deve ser redesenhada para um caminho mais difícil e profundo, indo além do conceito tradicional de ampliar eficiência interna e reduzir custos. Enfatizo que o status da consultoria deve ser mudado para algo “vivo”, com o novo caminho sendo de trabalhar 100% orientado à construção de agentes de IA desenvolvidos sob medida para as empresas, tais como robôs cognitivos capazes de analisar dados, apoiar decisões e executar tarefas de forma orquestrada e contínua.
O objetivo é que os agentes atuem de forma personalizada sobre os processos do cliente, criando uma camada operacional que reduz a dependência de execução manual e acelera a geração de valor.
O novo critério de sucesso
Em todo esse contexto, sei que o intervalo entre investimento e retorno praticamente desaparece. O valor deixa de ser uma promessa para o final do projeto e passa a ser capturado no momento em que o agente entra em operação. Para concretizar essa captura, recomendo a adoção de três pilares que levarão ao entendimento que o sucesso é medido pelo que funciona, não pelo que foi sugerido:
Uma seleção natural está em curso. As consultorias baseadas em esforço braçal, narrativas longas e distância da execução perderão relevância. Por sua vez, aquelas que integrarem tecnologia, contexto de negócio e capacidade de execução dominarão o espaço.
Neste novo mundo, minha mensagem é que a IA deve ser o ponto de partida para que possamos reconhecer o valor de uma consultoria se ela já estiver ajudando na melhoria dos processos, ao invés de apenas gerar recomendações.
*Emerson Murakami é CEO da Inmetrics
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