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Big techs se unem contra a falsificação de produtos na China

OpenAI, Google e Anthropic deixam de lado a rivalidade e estão compartilhando informações por meio do Frontier Model Forum

10/04/2026

Big techs se unem contra a falsificação de produtos na China
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Por Ricardo Marques da Silva

Em um raro trabalho conjunto, as rivais OpenAI, Anthropic e Google se uniram para reprimir a destilação maliciosa de resultados de modelos de inteligência artificial norte-americanos de ponta por concorrentes chineses. As big techs estão compartilhando informações por meio do Frontier Model Forum, uma organização sem fins lucrativos que as três empresas fundaram em 2023, com a Microsoft, a fim de impedir a extração de dados que violam seus termos de serviço e afetem seus preços.

De acordo com uma reportagem da Bloomberg, essa colaboração inédita destaca a gravidade de um problema apontado por empresas de IA dos Estados Unidos: alguns usuários, especialmente na China, estão criando versões falsificadas de seus produtos que poderiam competir em preço e atrair clientes, além de representar riscos à segurança.

“Autoridades norte-americanas estimam que a falsificação não autorizada custa aos laboratórios do Vale do Silício bilhões de dólares em lucros anuais, segundo uma pessoa familiarizada com as descobertas, que as descreveu sob condição de anonimato”, disse a Bloomberg.

Ao confirmar sua participação, a OpenAI mencionou um memorando recente enviado ao Congresso dos Estados Unidos em que acusou a empresa chinesa DeepSeek de tentar aproveitar indevidamente das capacidades desenvolvidas pelas big techs. Em outro documento, a OpenAI acusou a DeepSeek de usar a destilação para desenvolver uma nova versão de seu inovador chatbot.

A técnica de destilação permite que um modelo de IA seja usado para treinar uma versão mais recente que replica as capacidades do sistema anterior, em geral a um custo muito mais baixo do que o necessário para produzir um modelo original. Segundo a Bloomberg, algumas formas de destilação são amplamente aceitas e até incentivadas por laboratórios de IA, como quando empresas criam versões menores e mais eficientes de seus próprios modelos ou permitem que desenvolvedores externos usem a destilação para construir tecnologias não competitivas.

Porém, quando usada em países adversários como a China ou a Rússia, a destilação assusta as grandes empresas de tecnologia norte-americanas. Uma das reclamações se refere à possibilidade de criação de modelos de IA sem mecanismos de segurança que impeçam o uso da tecnologia de forma inadequada ou perigosa.

Sobretudo, prevalece a questão econômica: como a maioria dos modelos criados por laboratórios chineses é de código aberto, partes do sistema de IA subjacente estão disponíveis publicamente para que os usuários baixem e executem gratuitamente uma versão em suas próprias plataformas, o que se torna, portanto, mais barato de usar. “Isso representa um desafio econômico para as empresas de IA norte-americanas que mantiveram seus modelos proprietários, apostando que os clientes pagarão pelo acesso aos seus produtos e ajudarão a compensar as centenas de bilhões de dólares investidos em data centers e outras infraestruturas”, observou a matéria da Bloomberg.

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