O mercado financeiro reagiu rapidamente aos alertas feitos por especialistas e executivos de grandes empresas de tecnologia a respeito dos riscos envolvidos no desenvolvimento acelerado e sem controle da inteligência artificial. Logo no início da semana, as ações de empresas ligadas à IA registraram baixas expressivas nas bolsas asiáticas, como as do SoftBank, investidor japonês que apoia a OpenAI, que despencaram 13%, enquanto o índice Kospi da Coreia do Sul, que depende de fabricantes de chips que fornecem para empresas de IA, caiu 3%.
Na Europa, as ações da fabricante holandesa de tecnologia ASML, a maior do continente em valor de mercado e importante fornecedora para a indústria de semicondutores, abriram com baixa acima de 5%, o que mostra como a preocupação com os avanços da IA se tornou global. As oscilações do mercado se intensificaram depois da divulgação de um ensaio de Dario Amodei, CEO da Anthropic, no qual apela para que o setor de IA “desacelere”.
No ensaio, intitulado “We Must Pace the Frontier”, Amodei afirmou que “construir depressa demais é imprudente” e que enxames de agentes de IA poderiam causar prejuízos de centenas de bilhões de dólares ao “dominarem toda a internet” no futuro. Os CEOs da OpenAI, Sam Altman; do Google DeepMind, Demis Hassabis, e da SpaceX, Elon Musk, manifestaram apoio ao alerta de Amodei.
Jacob Coxon, um pesquisador de IA que trabalhou na Anthropic, disse à BBC, em tom catastrófico: “Se não diminuirmos o ritmo atual de progresso, há uma grande chance de que todos morramos em um futuro próximo”. Ele afirmou que as pessoas que trabalham em empresas de IA estão “genuinamente assustadas e preocupadas com o destino da humanidade nos próximos dois anos” e acrescentou: “Não é nenhum exagero dizer que as pessoas envolvidas tanto na fundação dessas empresas quanto no desenvolvimento da tecnologia acreditam que existe a possibilidade de extinção da humanidade”.
Na conclusão do seu ensaio, Dario Amodei sugeriu: “Continuo acreditando que a IA pode melhorar enormemente a qualidade de vida. Meu desejo de alcançar esses benefícios permanece inabalável. Mas os benefícios só serão alcançados se construirmos a tecnologia da maneira correta e, desde que usemos bem o tempo que ganharmos, vale a pena dedicar um cuidado excepcional para fazer tudo certo”.
Porém, nem todas as reações foram de apoio à necessidade de desacelerar a IA. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Jim Reid, diretor do Deutsche Bank, afirmou que a intensa concorrência no setor torna improvável que as empresas de IA parem de investir: “A competição entre empresas e países continua acirrada e é difícil imaginar que recuem voluntariamente enquanto as rivais continuam avançando. É difícil ver a China parada. Se os principais executivos estão discutindo abertamente os riscos de sistemas cada vez mais poderosos, pode ser que estejam tentando transmitir o quão transformadora acreditam que a tecnologia pode se tornar e, assim, divulgar o poder do seu produto”.