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Por Helder Ferrão*

Desde que o Facebook/Meta anunciou que pretende se tornar uma empresa de metaverso em até 5 anos, esse termo inundou os noticiários e causou alvoroço nas redes sociais. Apesar dessa grande movimentação, o grande público ainda conhece pouco sobre o conceito de metaverso e como ele influenciará a vida de todos e a tecnologia em geral nos próximos anos.

Apesar de ter ficado em alta em 2021 devido ao anúncio do Facebook, o termo metaverso começou a ser usado na década de 1990 e sempre esteve muito presente no mundo dos games. O metaverso será um complemento da internet, possibilitando uma rede de simulações e mundos 3D renderizados em tempo real. Basicamente, a ideia se refere à possibilidade de imersão em ambientes criados através do uso de tecnologias de realidade virtual e aumentada.

O metaverso conta com estruturas tecnológicas reais para simular realidades paralelas. Nessas realidades, as pessoas poderão interagir entre si e simular quase todos os aspectos da vida real como trabalhar, estudar, comprar, divertir-se e, principalmente, interagir com empresas fornecedoras de bens e serviços. De acordo com analistas da Bloomberg, o mercado do metaverso pode atingir US $783,3 bilhões em 2024, um aumento significativo em comparação aos US $478,7 bilhões que foram movimentados só em 2020. A análise foi feita com base em dados de empresas como IDC, Newzoo, PWC, Statista e Two Circles. Esse crescimento representaria uma expressiva taxa de crescimento anual composta de 13.1%.

Para se ter uma noção, o tamanho total do mercado do metaverso pode valer cerca de 2,7 vezes os mercados de software de jogos, serviços e receitas de publicidade. Esses valores gigantescos e todas as projeções demonstram a dimensão dos investimentos e das inovações tecnológicas que possivelmente acompanharão o desenvolvimento do metaverso nos próximos anos e impactarão a vida de todos.

Quais desafios o setor de cibersegurança enfrentará no metaverso?

Obviamente, como em todo avanço tecnológico, o metaverso expandirá o cenário de ameaças virtuais e trará desafios relacionados a malware, segurança DNS, encriptação, segurança API, segurança de acesso, dentre outros.

Alguns dos problemas de cibersegurança que enfrentamos se tornarão ainda mais desafiadores, como acesso indevido a contas de usuários, roubo de propriedade intelectual e exportação de dados sensíveis, trapaças e hackeamento de informações pessoais dos usuários afetados. Imaginem uma pessoa ter sua conta hackeada e o criminoso começar a interagir, fingindo ser o proprietário da conta, com pessoas e empresas no metaverso?

Não só questões de fraude e privacidade de informações estão envolvidas, há ainda aspectos ligados à autoestima, eventuais ações de assédio, além da disseminação de informações falsas em nome de terceiros. Como é possível observar, existe muito ainda a ser identificado e entendido dentro deste novo mundo de possibilidades de relações que se abre através do metaverso, mas, desde o início é muito importante dar atenção necessária às questões de segurança, sendo as empresas que tomarem a frente do desenvolvimento de soluções nesta tecnologia as responsáveis por trabalhar de forma árdua para que suas soluções ofereçam a segurança adequada aos seus clientes e usuários.

Na Akamai, lidamos globalmente com cibersegurança e entrega de conteúdos, e nossos dados apontam que os criminosos virtuais estarão cada vez mais focados em indústrias nas quais as pessoas frequentemente realizam transações financeiras e possuem dinheiro em contas (bancárias, em games, em lojas e etc).

As empresas devem investir cada vez mais em cibersegurança, já que o metaverso contribuirá para a consolidação do trabalho remoto e outros vários tipos de interação profissional e pessoal. Problemas relacionados a VPN e outras questões que envolvem acessos remotos e compartilhamento de dados possivelmente sensíveis devem aumentar consideravelmente.

Outra tendência observada será o aumento de ameaças relacionadas a pagamentos online, já que moedas virtuais, as chamadas criptomoedas, serão cada vez mais usadas em transações virtuais. As criptomoedas em si já fazem parte de um fenômeno complexo, e igualmente complexo será lidar com a segurança desses ativos financeiros virtuais dentro do ambiente do metaverso.

Não precisa ser um especialista em tecnologia e cibersegurança para perceber que a rotina de um usuário no metaverso será dinâmica e trará desafios para todos. Por exemplo, uma pessoa que tem um avatar poderá assistir a um jogo de futebol no estádio, comprar uma camiseta do seu time de coração para seu avatar e para o avatar de outro usuário e pagará por tudo com suas criptomoedas. É uma situação hipotética e simples, mas pense que a cibersegurança precisa acompanhar cada movimento, cada transação desse universo, antecipando ameaças e neutralizando as que com certeza surgirão pelo caminho.

Por fim, é visível como o metaverso é promissor e pode revolucionar o modo como as pessoas interagem fisicamente e virtualmente. Nos próximos anos, a indústria de cibersegurança deve acompanhar esse movimento e novas soluções de proteção para vários nichos de mercado que com certeza serão desenvolvidos, seja para computadores, celulares, videogames e outros dispositivos que dependem da internet.

*Helder Ferrão é gerente de marketing para a América Latina da Akamai Technologies

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