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30/09/2026Por Ricardo Marques da Silva30/10/2026Por Ricardo Marques da Silva

*Fotos: cenas de Castle Walls/Reprodução Amazon Prime Video
Ainda não foi dessa vez que a tecnologia convenceu de verdade: a série de aventura e fantasia Castle Walls, a primeira do serviço de streaming Amazon Prime Video totalmente gerada por inteligência artificial, recebeu uma avalanche de críticas negativas e foi definida como confusa e desinteressante, entre outros adjetivos. Produzida pelo estúdio turco Ay Yapım, com direção de Kerem Çatay, Castle Walls é o resultado da combinação de várias ferramentas de IA generativa e, por enquanto, estão disponíveis apenas dois episódios.
No site IMDb, a série recebeu até agora uma avaliação média de 1,8 numa escala de 10, e uma pessoa fez este comentário: “Grande ideia, pobre execução”. Em uma reportagem impiedosa, Luke Buckmaster, crítico de cinema do jornal Guardian Australia, foi mais longe e afirmou: “Fiquei brevemente intrigado pelas imagens de abertura, com sua paleta ousada de azuis, marrons mostarda e amarelos, mas assim que as ‘pessoas’ apareceram, parecendo criações do Madame Tussauds (o museu de cera de Londres) cobertas de vaselina derretendo lentamente ao sol, tudo desmoronou”.
O Prime Video resume assim o enredo: “No século 11, Hasan Sabbah conquista Alamut Kalesi, fundando um movimento contra a ordem vigente. Enquanto o seu velho amigo Nizamülmülk defende o império, o guerreiro liberto Azazil torna-se o seu lutador mais leal. À medida que as amizades se transformam em inimizades, o amor, a fé, a traição e o poder desencadeiam uma guerra que altera o curso da história”. Porém, para Buckmaster, o resultado é “uma bagunça completa e sem graça”.
O crítico disse que os primeiros episódios estão repletos de momentos impactantes, com muitos homens de semblante carrancudo e metáforas visuais batidas envolvendo cobras, sangue e fogo. “Tudo parece ter sido concebido com o seguinte objetivo: ‘Crie imagens de tirar o fôlego’. A cena de abertura mostra uma águia sendo transportada em uma gaiola através do deserto, ‘para dar um ar cinematográfico’), seguida por um plano geral do castelo, ‘para torná-lo ainda mais cinematográfico’. Em seguida, uma tomada aérea de homens chegando a cavalo, ‘para tornar muito, muito, muito cinematográfico’”.
O único aspecto positivo no texto do Guardian é o imenso potencial da IA em si. Luke Buckmaster admitiu que a tecnologia por trás da série é incrível e alterará profundamente o futuro do cinema. “Produções como Castle Walls estão entre as primeiras a serem lançadas e, portanto, sujeitas a comentários sarcásticos. Talvez essas primeiras obras geradas por IA acabem sendo comparáveis aos primeiros filmes mudos: revolucionárias na época, mas rapidamente eclipsadas por aplicações mais sofisticadas da tecnologia”, destacou.
O que falta, na opinião do crítico, é o toque humano: “Essas obras de IA tendem a evocar uma resposta mais cínica do público em geral. Os espectadores, compreensivelmente, parecem menos interessados no que a tecnologia promete do que no que ela ameaça tirar: a arte imbuída de humanidade”, concluiu.

#IA generativa#Prime Video#produção turca#série#série de aventura#série de fantasia

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