Xiaomi investirá mais de R$ 43 bilhões em IA
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26/06/2026Por Redação08/05/2026

Por Ricardo Marques da Silva
Quando surgiu na plataforma de hospedagem e compartilhamento de código-fonte GitHub, no início de abril, o projeto Colleague Skill foi visto como uma iniciativa bem-humorada, uma brincadeira entre colegas de trabalho. A intenção era aplicar a ferramenta para descrever as características e as habilidades de alguém e, a partir daí, usar essas informações para que um agente de IA as replicasse e criasse uma espécie de clone dessa pessoa.
Porém, o projeto viralizou rapidamente na China e, de acordo com um artigo da MIT Technology Review, passou a ser usado em algumas empresas de tecnologia para induzir os funcionários a treinar seus próprios clones de agentes de IA, que depois poderiam substituí-los. “A viralização do Colleague Skill gerou muito debate sobre a dignidade e a individualidade dos trabalhadores na era da IA, levando-os a confrontar medos mais profundos”, disse a revista.
O Colleague Skill foi criado por Tianyi Zhou, engenheiro do Laboratório de Inteligência Artificial de Xangai. Ele explicou a um jornal chinês que o projeto surgiu como uma reação motivada pelas demissões relacionadas à IA e pela crescente tendência das empresas de pedir aos funcionários que automatizem seus próprios processos de trabalho.
A ideia de “automatizar” os colegas antes de si mesmos foi recebida com humor e o Colleague Skill viralizou entre os profissionais de tecnologia da China. O que ninguém esperava é que a ferramenta fosse levada a sério por alguns chefes, que começaram a pedir que os funcionários documentassem seus fluxos de trabalho para automatizar tarefas e processos específicos, usando recursos de IA como o OpenClaw ou o Claude Code.
As reações contrárias não demoraram a aparecer nas redes sociais e impulsionaram contramedidas engenhosas, como um código “anti-destilação” publicado no GitHub por Koki Xu, uma gerente de produto de IA em Pequim de 26 anos que se irritou com a ideia de reduzir uma pessoa a uma relação de habilidades. A ferramenta, criada em cerca de uma hora, foi projetada para comprometer o processo de criação de fluxos de trabalho para agentes de IA, e os usuários podem escolher entre os modos de sabotagem leve, média e pesada, “dependendo de quão perto seu chefe está observando o processo”.
Um vídeo que Koki Xu postou sobre o projeto registrou mais de 5 milhões de curtidas, e na descrição de sua ferramenta ela afirmou: “As empresas usam IA para extrair informações do seu trabalho, substituí-lo e monitorá-lo. Este projeto inverte a lógica da IA: IA a seu favor”.
Em entrevista à revista do MIT, Xu contou que é uma entusiasta da IA, com sete agentes OpenClaw configurados em seus dispositivos pessoais e de trabalho, e acompanha de perto a tendência de medir as habilidades do colaborador, o que a fez refletir a respeito de alienação, desempoderamento e implicações mais amplas para o mercado de trabalho. “Inicialmente, eu queria escrever um artigo de opinião, mas decidi que seria mais útil criar algo que se opusesse a essa tendência”, disse ela.
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