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Por que 2026 deve marcar o início de uma nova infraestrutura de pagamentos digitais

Pagamentos deixam de ser um produto isolado e se tornam parte fundamental da estratégia das empresas. A verdadeira vantagem competitiva estará na combinação entre experiência, segurança, conectividade e capacidade de adaptação

16/03/2026

Por que 2026 deve marcar o início de uma nova infraestrutura de pagamentos digitais
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Por Fernando Campos*

Falar sobre o futuro dos pagamentos exige reconhecer algo muito simples: o setor mudou de forma intensa e veloz. Em 2025, oito em cada dez bancos brasileiros utilizaram IA generativa, segundo a Febraban, algo que, até três anos atrás, nem aparecia entre as principais tendências do mercado. Hoje, o que vemos é um ecossistema dinâmico, que se reinventa conforme os hábitos de consumo evoluem e a tecnologia amadurece.

Essa transformação não ocorre de maneira isolada: impacta conversas com clientes, decisões das bandeiras, integrações com o Banco Central e exige que as empresas de tecnologia financeira ampliem suas capacidades para acompanhar o ritmo do mercado. O crescimento dos investimentos em inovação, que ultrapassaram R$ 47 bilhões em 2024, é um reflexo claro dessa busca por maturidade digital.

Segundo a Mordor Intelligence, o mercado global de pagamentos deve continuar crescendo a taxas superiores a 11% ao ano até 2030, movimentando mais de US$ 5 trilhões ao fim da década. O segmento de pagamentos digitais — que inclui carteiras, gateways, plataformas completas e transações 100% online — deve mais que triplicar de tamanho entre 2024 e 2030, com taxas de crescimento anual acima de 20%, segundo a Grand View Research. O avanço dos pagamentos instantâneos segue a mesma lógica e pode atingir quase US$ 200 bilhões em receita global até 2030, impulsionado por sistemas que replicam a instantaneidade popularizada pelo Pix. Essas projeções deixam claro que 2026 não será apenas mais um ciclo; será o ponto de expansão significativa, um ano em que a pressão por inovação, integração e segurança será decisiva.

A evolução da experiência digital
Dentro desse cenário de crescimento acelerado, a experiência omnichannel deixa de ser um diferencial e se torna um requisito básico. O usuário já naturalizou a alternância entre cartão físico, carteira digital, aproximação, Pix e QR Code sem qualquer fricção. Em 2026, o foco não estará mais na variedade dos meios, mas na fluidez da jornada: tudo precisa funcionar, em qualquer ambiente, do início ao fim.

Esse comportamento digital já é dominante e molda a demanda por tecnologia. Hoje, 82% das transações bancárias acontecem em canais digitais, e o celular sozinho responde por 75% de todas as operações, segundo a Febraban. Agora, a disputa deixa de ser sobre qual trilha predomina e passa a ser sobre qual infraestrutura é capaz de operar com mais agilidade, estabilidade e velocidade para lançar novos produtos. Com a expectativa de bilhões de transações digitais adicionais até 2030, plataformas que permitem implementação rápida terão vantagem competitiva clara.

Nesse contexto, Pix e cartões devem encontrar um equilíbrio cada vez mais evidente. Os pagamentos instantâneos continuarão acelerando, sobretudo em compras do dia a dia e experiências digitais. Já o cartão, impulsionado por crédito, parcelamento e aceitação internacional, preservará sua relevância. O que veremos são esses dois mundos atuando de forma complementar e não competitiva.

Segurança e o papel da regulação
À medida que o mercado se torna mais digital e mais rápido, a segurança deixa de ser uma camada adicional e passa a ser parte estruturante da experiência. A sofisticação das fraudes e a velocidade dos ataques obrigam empresas a adotarem estruturas que operem em tempo real e atuem muito antes da transação em si. É nesse ponto que soluções integradas, que avaliam desde o onboarding até a movimentação financeira, se tornam essenciais.

A adoção desse modelo pelo mercado está crescendo. A Mastercard, por exemplo, já aplica isso globalmente, combinando dados de comportamento transacional com inteligência contra ameaças para identificar e bloquear fraudes em tempo real. Na América Latina, a plataforma Risk Center 360 da Evertec, que processa 15 bilhões de transações anualmente, também opera analisando riscos e detectando padrões em tempo real com visão integrada de eventos financeiros e não financeiros.

Esse amadurecimento da segurança caminha lado a lado com a evolução das plataformas de emissão. Hoje, as empresas não querem apenas lançar um cartão; elas querem colocar um produto no ar rapidamente, testar hipóteses, ajustar limites, definir regras de uso e acompanhar transações em tempo real. A flexibilidade para participar da autorização, a capacidade de escalar de forma orgânica e a oferta de APIs claras e eficientes são fatores que diferenciam soluções modernas. O mercado valoriza velocidade, mas também valoriza previsibilidade, e 2026 será um ano em que essas duas qualidades precisarão conviver.

No plano regulatório, o Banco Central segue desempenhando papel determinante. O ambiente regulatório brasileiro é maduro, inovador e tem impulsionado a competição de forma equilibrada. Para o próximo ano, a expectativa é de fortalecimento das integrações diretas com o BC, especialmente para empresas que operam grandes volumes de Pix e precisam combinar performance com rigidez de segurança. A regulação continuará guiando o mercado, mas de forma cada vez mais conectada à realidade tecnológica das empresas.

O que se desenha para o próximo ano é um setor mais integrado, mais inteligente e mais exigente. Pagamentos deixam de ser um produto isolado e se tornam parte fundamental da estratégia das empresas. A verdadeira vantagem competitiva estará na combinação entre experiência, segurança, conectividade e capacidade de adaptação.

*Fernando Campos é  head de novos negócios da Evertec Brasil

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