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Pesquisa avalia como os agentes de IA ameaçam os empregos

Estudo da Logicalis mostra que 31% dos líderes de TI consideram possível substituir 20% dos funcionários em até 3 anos

01/04/2026

Pesquisa avalia como os agentes de IA ameaçam os empregos
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Por Ricardo Marques da Silva

O risco de perda de emprego para a IA é real, e resta saber em que ritmo esse movimento seguirá no futuro e qual será a sua extensão. Em busca de respostas para essas questões, a provedora de serviços digitais e tecnologia Logicalis, em parceria com a consultoria Stratica, realizou mais uma edição da pesquisa IT Trends Snapshot que, entre outros insights, verificou que 31% dos líderes de TI consideram plausível substituir 20% dos profissionais por agentes de IA em até três anos, embora a maioria tenha afirmado que ainda não é seguro tomar decisões estratégicas com base em relatórios e resumos gerados pela tecnologia.

Em sua nona edição, o estudo ouviu 129 executivos da área de tecnologia da informação de diferentes segmentos de mercado no Brasil, entre agosto e setembro de 2025, e abordou temas como prioridades de negócios e tecnologias, avanço da IA, segurança da informação, governança de IA e trabalho híbrido. De acordo com esses líderes, a discussão a respeito da substituição de postos de trabalho pela IA é parte de um cenário mais amplo de transformação e ainda há barreiras como desconfiança e falta de capacitação.

Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil, disse que os dados coletados sugerem certa resistência das pessoas à IA, que pode ser causada por falta de conhecimento, medo de ser substituído ou pouca visibilidade sobre como tirar proveito da tecnologia no dia a dia. Para Hashimoto, as empresas precisam comunicar claramente aos profissionais sua visão da aplicação de IA e da automação e o papel que os funcionários terão nessa mudança: “Transparência sobre a estratégia é fundamental para trazer as pessoas-chave a bordo. Sem estratégia e cultura fortes, nenhum ganho sustentável será possível”, afirmou.

Segundo a pesquisa, a confiança no uso atual da IA ainda é de fato um desafio. Para 65% dos entrevistados, decisões baseadas em IA ainda não são seguras e confiáveis. Também há críticas ao treinamento das equipes, e 74% dos executivos afirmaram que os cursos online oferecidos pelas empresas não são suficientes para habilitar o uso produtivo da IA.

Além disso, 78% dos entrevistados acreditam que a IA pode reduzir a capacidade analítica dos profissionais e 58% disseram que o uso de ferramentas inteligentes é capaz de mascarar um baixo desempenho. Apesar dessa visão negativa, 63% avaliam que, em até três anos, a IA deixará de ser apenas uma ferramenta de automação básica e ganhará aplicações mais avançadas, sugeridas pelas próprias áreas de negócio.

Entre os poucos consensos observados no estudo está a crença na cultura organizacional, e 87% dos líderes em TI afirmaram que a obtenção de mais produtividade com IA depende mais da cultura da empresa do que da tecnologia em si, reforçando que a transformação não é apenas técnica.

Hashimoto resume a avaliação do IT Trends Snapshot: “Mesmo reconhecendo que a IA deve provocar um impacto significativo à produtividade dos profissionais, a maioria das empresas ainda não se prepara para essa mudança. Falta capacitação adequada, as prioridades tecnológicas estão dispersas e os investimentos essenciais não avançam. O resultado é uma contradição evidente: as organizações esperam uma transformação profunda, mas seguem sem um planejamento consistente para enfrentá-la”.

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#agentes de IA#perda de emprego#produtividade com IA#uso produtivo da IA

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