*Foto: Scorsese com executivos da Black Forest/Reprodução
Por Ricardo Marques da Silva
São cada vez mais frequentes as manifestações de atores e diretores contra o uso de ferramentas de inteligência artificial em filmes e séries, que substituíram o trabalho humano e eliminariam o brilho e o talento que distinguem as produções de boa qualidade. Por isso causou surpresa no meio cinematográfico a informação de que o renomado diretor Martin Scorsese, aos 83 anos, se tornou sócio e consultor técnico da startup de IA Black Forest Labs.
A notícia foi publicada pelo jornal The New York Times na terça-feira, dia 2, e rapidamente ganhou destaque em outros veículos, que classificaram a decisão de Scorsese como “surpreendente” e “improvável”. Antes disso, porém, a própria Black Forest já havia comemorado a adesão do diretor em seu site, com este destaque: “Martin Scorsese passou seis décadas dando vida a histórias. Agora, ele está nos ajudando a moldar a inteligência visual como consultor”.
Várias vezes vencedor de todos os prêmios importantes do cinema, como Oscar, Bafta, Palma de Ouro, Grammy, Globo de Ouro e Emmy, Scorsese é uma lenda em Hollywood, o que justifica o impacto de sua adesão à IA. No site da Black Forest, ele explicou: “Tenho interesse na interseção entre tecnologia e narrativa e em como isso pode expandir os limites da criatividade para criar experiências mais profundas e ricas para o público. Lembre-se, o cinema é uma mídia jovem, com apenas cerca de 125 anos, então precisamos estar abertos à sua evolução”.
Disse ainda que, com as ferramentas de IA, pode compartilhar com a sua equipe criativa o que ele está visualizando com mais clareza e eficiência, “para que possam desenvolver e enriquecer a inteligência cinematográfica”. E lembrou que já usou a tecnologia algumas vezes, citando como exemplo o processo de rejuvenescimento digital de atores no filme O Irlandês.
Também chamou atenção o perfil da empresa com a qual ele se associou. Bem longe de Hollywood e do Vale do Silício, a Black Forest Labs tem sede em Freiburg, na Alemanha, perto da Floresta Negra, o que explica o nome escolhido. A startup tem apenas 70 funcionários e foi fundada em 2024 por ex-funcionários da Stability AI, responsável pelo desenvolvimento do sistema Stable Diffusion, de geração de imagens por IA. Seu produto de destaque é o Flux, um modelo de geração e edição de imagens capaz de criar visuais realistas a partir de descrições em texto e de modificar material já existente.