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05/06/2026Por Ricardo Marques da Silva10/07/2026Por Ricardo Marques da Silva

*Foto: Tilly Norwood/Reprodução Particle 6
Quando foi apresentada no Festival de Cinema de Zurique no ano passado, Tilly Norwood, uma atriz inteiramente gerada por inteligência artificial, provocou uma onda de indignação na indústria cinematográfica e levou o sindicato de atores a afirmar que ela colocava em risco o sustento dos artistas e desvalorizava o talento humano. Agora, o anúncio de que Tilly será a estrela do longa-metragem Misaligned (algo como desalinhada, ou desajustada) deve reacender a polêmica em torno do uso de IA no cinema.
O filme, ainda em fase de desenvolvimento, foi descrito pela revista Variety como “uma comédia dramática sobre amadurecimento, permeada pelo caos existencial da IA, em que Tilly interpreta uma robô sem corpo real, infância ou experiências de vida”. Porém, quando conhece um bot na dark web, ela é convencida a abandonar suas limitações e começa a desenvolver desejos, impulsos e ambições que a aproximam da vivência humana.
Misaligned é uma produção do estúdio Particle 6, especializado em IA, que definiu o filme como um projeto híbrido, com a participação de diretores, roteiristas e editores que trabalham em conjunto com especialistas em tecnologia. IA. Eline van der Velden, CEO e fundadora da Particle 6, disse que a IA pode dar apoio à produção de filmes de alta qualidade, mas apenas com doses substanciais de habilidade humana. “Isso não é uma limitação da tecnologia. É justamente a sua essência. Os cineastas que prosperarão na próxima década serão aqueles que aplicarem décadas de instinto narrativo a essas novas ferramentas, e Misaligned é onde colocamos isso em prática em escala de longa-metragem”, afirmou.
A Tilly Norwood criada por IA é uma morena bonita, figura central do projeto de franquia “Tillyverse”, da Particle 6, um universo digital em que uma nova geração de personagens digitais vive e constrói suas carreiras, de acordo com a descrição do estúdio. “O filme será engraçado, caótico e autoconsciente, bem a cara da Tilly. Mas também há algo mais profundo sobre identidade, performance e os medos muito humanos em relação à IA. E, sim, a arte definitivamente imitará a vida”, disse Eline van der Velden.
Como destacou a edição brasileira da Rolling Stone, há muita gente que não concorda com essa visão otimista, em especial as atrizes de Hollywood. A revista citou comentários como o de Emily Blunt: “Meu Deus, estamos perdidos. Isso é realmente assustador. Vamos lá, agências, não façam isso. Por favor, parem de nos privar da conexão humana”. Natasha Lyonne, de Orange Is The New Black, completou: “Qualquer agência que se envolva nisso deveria ser boicotada por todos os sindicatos. É profundamente equivocado e perturbador”.
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