Marcas usam IA para iludir clientes com depoimentos falsos
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24/06/2026Por Ricardo Marques11/05/2026

Por Ricardo Marques da Silva
“É realmente vergonhoso que uma primeira-ministra se apresente dessa maneira. Indigna do cargo institucional que ocupa. Ela não tem nenhum senso de vergonha.” Essa foi apenas uma das inúmeras reações raivosas de internautas italianos às fotos da primeira-ministra conservadora Giorgia Meloni que viralizaram nas redes sociais, entre as quais uma em que ela aparece de lingerie, sentada em uma cama, publicada no Facebook.
O problema é que todas essas imagens são falsas e foram criadas por ferramentas de inteligência artificial, em mais uma prova dos danos que a tecnologia pode causar quando usada com má intenção. No caso, apesar de deplorar o fato de ter sido vítima de deepfake com fins políticos, Meloni reagiu com bom-humor: “Devo admitir que quem criou isso até melhorou bastante a minha aparência”, brincou ela. “Mas o fato é que, para atacar e espalhar mentiras, as pessoas estão dispostas a usar absolutamente qualquer coisa”, acrescentou.
Além de criticar o compartilhamento em massa das fotos manipuladas, Meloni deu um conselho simples e objetivo: “Pense bem antes de postar”. Ao denunciar o que descreveu como uma forma grave de cyberbullying, ela alertou que as imagens geradas por IA são uma ferramenta cada vez mais perigosa, capaz de enganar e prejudicar as pessoas e as instituições.
Primeira mulher a ocupar o cargo na Itália e representante de uma coligação de extrema-direita, Giorgia Meloni acrescentou: “O problema vai além de mim. Eu posso me defender, mas muitos outros não podem. Por isso, uma regra deve sempre ser aplicada: verificar antes de acreditar e pensar antes de compartilhar. Porque hoje acontece comigo, e amanhã pode acontecer com qualquer um”.
O problema não é novo na Itália e já vinha preocupando o governo, que tem procurado soluções objetivas para combater os riscos representados pela IA e pelos deepfakes. Como destacou o jornal inglês The Guardian, em setembro do ano passado a Itália se tornou o primeiro país da União Europeia a aprovar um lei rigorosa de regulamentação do uso de IA, com penas de prisão para os infratores e limites para o acesso de crianças e adolescentes.
A medida foi uma resposta à indignação provocada por um site pornográfico que publicou imagens manipuladas por IA de mulheres italianas proeminentes, entre as quais Meloni e a líder da oposição Elly Schlein. O site foi fechado e a Justiça italiana abriu uma investigação em que acusou os responsáveis de crimes como disseminação ilegal de imagens sexualmente explícitas, difamação e extorsão.

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