AiotAiot


IA cria e compartilha álbuns sem o conhecimento dos artistas

Vários músicos foram surpreendidos nas últimas semanas com o lançamento no Spotify de álbuns “autorais” de origem desconhecida

27/08/2025

IA cria e compartilha álbuns sem o conhecimento dos artistas
Tamanho fonte

Por Ricardo Marques da Silva

Um álbum chamado “Orca” da cantora inglesa Emily Portman, vencedora do BBC Folk Award em 2013, foi lançado no Spotify em julho e logo recebeu muitos elogios dos fãs. Alguns deles entraram em contato com a artista e a deixaram muito surpresa, por um motivo simples: ela não havia gravado nenhum disco novo, muito menos um com aquele nome, com 10 músicas bem parecidas com as dela.

A resposta logo ficou clara: todas as faixas de “Orca” haviam sido criadas por ferramentas de inteligência artificial treinadas com base nas composições de Emily. Ela ouviu as músicas e disse que tudo era “realmente assustador”, principalmente por causa das semelhanças que encontrou tanto em relação às melodias e letras quanto com a sua voz, de acordo com uma reportagem da BBC britânica.

E Emily Portman está longe de ser a única vítima desse fenômeno. O mesmo aconteceu nas últimas semanas com músicos como Josh Kaufman, Jeff Tweedy (vocalista do Wilco), J. Tillman (agora conhecido como Father John Misty), Sam Beam (do Iron & Wine), Teddy Thompson e Jakob Dylan, que tiveram músicas clonadas, todas aparentemente da mesma fonte.

Ainda não se sabe quem publicou os falsos álbuns nem por quê. No caso de Emily Portman, ela foi creditada como artista, compositora e detentora dos direitos autorais e o produtor teria sido Freddie Howells, desconhecido no meio musical. A cantora definiu a música feita por IA como “desumana” e ”vazia e imaculada”: “Nunca vou conseguir cantar tão perfeitamente afinada. E não é esse o ponto. Eu não quero. Sou humana”, disse à BBC.

Segundo a reportagem, há uma tendência crescente de artistas consagrados (mas não superstars) terem álbuns ou músicas falsas que aparecem repentinamente em suas páginas no Spotify e em outros serviços de streaming, e até músicos falecidos tiveram “novos” materiais gerados por IA adicionados aos seus catálogos. “Quem postou os álbuns online receberá royalties, mas nenhuma música do ‘Orca’ teve mais de 2 mil reproduções no Spotify, então a receita não teria excedido US$ 6 por faixa”, lembrou a BBC.

Emily Portman abriu um processo de direitos autorais para que os álbuns sejam retirados das plataformas e disse que o episódio “redobrou sua crença na importância da verdadeira criatividade e de como isso comove as pessoas”. Ela definiu a experiência como angustiante e destacou a falta de salvaguardas legais para os artistas: “Parece o começo de algo bem distópico”, afirmou.

TAGS

#BBC Folk Award#Emily Portman#inteligência artificial#músicas clonadas#músicas falsas#Orca#royalties#Spotify

COMPARTILHE

Notícias Relacionadas