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20/07/2026Por Ricardo Marques da Silva05/08/2026Por Ricardo Marques da Silva

A disputa entre as grandes potências mundiais pela liderança em inteligência artificial já não se limita a chatbots e drones e agora se estendeu também aos dispositivos robóticos avançados, cuja importação acaba de ser proibida pela Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês). De acordo com o órgão do governo norte-americano, esses sistemas, quando fabricados no exterior, devem ser incluídos em sua Covered List, que relaciona componentes críticos que representariam “um risco inaceitável à segurança nacional”.
Embora não cite países específicos, a nova norma atinge diretamente empresas chinesas como a Unitree e a AgiBot, líderes globais na área de robôs humanoides. De acordo com a FCC, a decisão se apoia em um estudo de uma força-tarefa da Casa Branca que teria identificado nos robôs fabricados no exterior uma ameaça cibernética à infraestrutura crítica do país.
A China reagiu rapidamente à decisão da FCC e, por meio da Xinhua, a agência de notícias oficial do governo, afirmou que a medida discrimina e reprime empresas e produtos do país. Um porta-voz do Ministério do Comércio disse que os Estados Unidos deveriam revogar imediatamente a proibição “e pôr fim a essas práticas errôneas”.
De acordo com o governo de Pequim, os norte-americanos continuam a introduzir e a intensificar medidas restritivas, “prejudicando seriamente os legítimos interesses comerciais da China, minando a estabilidade das relações econômicas e comerciais entre os países e perturbando a estabilidade das cadeias globais de abastecimento”. A proibição, segundo a China, constitui “um caso típico de distorção de mercado e de intimidação unilateral”, e o porta-voz do governo concluiu: “Caso os Estados Unidos insistam em prosseguir, a China tomará contramedidas firmes para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos”.
A decisão da FCC repercutiu mundialmente, e a BBC britânica fez essa observação: “Empresas de tecnologia chinesas desenvolveram rapidamente robôs humanoides para serem usados em diversos ambientes, como fábricas e residências. As empresas também foram rápidas em comercializar suas máquinas para as empresas e o público em geral, à frente de rivais norte-americanos de robôs humanoides, como a Tesla de Elon Musk e a Boston Dynamics”.
A questão é que, atualmente, a China lidera o mercado de robôs humanoides, uma importante área de domínio tecnológico, à frente dos rivais norte-americanos, o que desagrada e preocupa a Casa Branca. Calcula-se que os fabricantes chineses respondem hoje por cerca de 85% do mercado global de robôs humanoides e poderão alcançar um faturamento de US$ 15 bilhões até 2030.
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