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Executivos do Vale do Silício não querem seus filhos online

Eles são fãs da tecnologia e da IA, mas em casa restringem o acesso das crianças aos celulares e às redes sociais

20/08/2026Por Ricardo Marques da Silva

Executivos do Vale do Silício não querem seus filhos online
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Os executivos do Vale do Silício são adeptos incondicionais da tecnologia, desde que não seja para os seus filhos. Essa foi, em resumo, a conclusão de uma reportagem publicada na segunda-feira pelo influente jornal norte-americano The York Times que, em tom irônico, mostrou a aparente contradição desse grupo seleto de líderes, no momento em que são discutidos de forma mais aprofundada os riscos a que crianças e adolescentes são submetidos pela exposição contínua à IA e às redes sociais.

Como exemplo, o jornal citou declarações de Mark Zuckerberg, CEO da Meta: “Eu geralmente não quero que meus filhos fiquem sentados em frente à TV ou ao computador por muito tempo. Interagir com pessoas é bom, mas consumir conteúdo passivamente, apenas indo de um vídeo para outro, não está associado aos mesmos benefícios positivos”, disse ele.

De acordo com o NY Times, quando a segunda filha de Zuckerberg nasceu, em 2017, ele e sua esposa, Priscilla Chan, escreveram uma carta aberta a ela para afirmar que é importante reservar um tempo para sair e brincar. “Cheirar flores também foi mencionado. O mesmo aconteceu com a coleta de folhas. Nada digital foi sequer mencionado”, lembrou a reportagem assinada por David Streitfeld, um repórter que escreve sobre tecnologia há mais de 20 anos.

Também foi feita uma referência a Peter Thiel, cofundador do PayPal e da Palantir e o primeiro investidor externo do Facebook, que há alguns anos disse ter limitado o tempo de tela de seus filhos a uma hora e meia por semana. “Quando mencionou isso no Aspen Ideas Festival em 2024, a plateia ficou boquiaberta. Muitas crianças dessa idade passam essa quantidade de tempo em frente às telas em um dia, ou até mesmo em uma manhã”, observou a matéria.

A artista e livreira Mara Fath disse que os profissionais de tecnologia perceberam desde o início os problemas potenciais do excesso de exposição a telas. Ela lembrou a chegada de programadores e outros especialistas ao seu bairro, o Upper Haight, em São Francisco, há 20 anos: “Todos os nossos vizinhos trabalhavam para empresas como Facebook, Google e Apple e nenhum deles deixava seus filhos interagirem com computadores e celulares. Todos sabiam o quanto isso era viciante e queriam proteger seus próprios filhos”.

O New York Times também comentou a afirmação de Bill Gates, cofundador da Microsoft, de que não permitiria que seus filhos tivessem celulares antes de completarem 14 anos. “Quando o filho de Sundar Pichai tinha 11 anos, o chefe do Google observou que ele ainda não tinha um telefone e que a TV da casa não era facilmente acessível. Tim Cook, da Apple, disse que não deixaria seu sobrinho usar uma rede social”, completou a reportagem.

Por último, o texto citou Sam Altman, CEO da OpenAI, que recentemente admitiu que tem restrições à tecnologia: “Uma coisa que mudou drasticamente é como me sinto em relação a feeds algorítmicos e iPads nas mãos de crianças pequenas. Não sei quando as deixaria conversar com uma IA, mas prefiro estar no limite do razoável, e não no limite inicial”, afirmou Altman, acrescentando que “ansiava por mandar seu filho brincar na terra lá fora”.

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#crianças pequenas#tempo de tela#Vale do Silicio

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