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22/01/202619/01/2026

*Foto: Parque eólico em Changhua/Reprodução Rest of World
Por redação AIoT Brasil
No litoral de Changhua, na costa oeste de Taiwan, muitos dos bancos de areia que eram ricos criadouros de ostras estão sendo ocupados por cabos de transmissão de energia eólica offshore de projetos destinados a abastecer a demanda da indústria de semicondutores que produz chips de IA. Como é preciso cavar valas para enterrar os cabos, ocorre a movimentação de camadas de sedimentos e detritos que, lentamente, estão matando as ostras e alterando profundamente o modo de vida da população.
A denúncia foi feita pela organização sem fins lucrativos Rest of World, que visitou a região, entrevistou vários moradores e explicou que os problemas começaram há cerca de quatro anos, quando um novo projeto eólico chegou à costa oeste de Taiwan e praticamente exterminou as ostras. “Com suas águas rasas e ventos constantes, a região atraiu bilhões de dólares em investimentos nos últimos anos, tornando-se a zona de maior concentração de energia eólica da ilha. Essa energia é necessária para atender à demanda da indústria de semicondutores, que produz chips avançados que alimentam sistemas de IA em todo o mundo”, disse a Rest of World.
De acordo com a organização, a demanda de energia da indústria de semicondutores de Taiwan deve crescer oito vezes até 2028, grande parte por causa da TSMC, a empresa local que é a maior fabricante mundial de chips sob encomenda. Para atingir a meta de descarbonizar as operações e chegar a 100% de energia renovável até 2040, a fim de atender às exigências de gigantes da tecnologia como a Apple e a AMD, Taiwan está expandindo rapidamente seu parque eólico.
Porém, os projetos estão prejudicando as comunidades rurais e litorâneas e, desde o início da instalação dos cabos submarinos, o acúmulo de sedimentos aumentou e cobriu as conchas de ostras com lama, o que reduziu as áreas de cultivo e a produção. A situação tende a piorar para os mais de 500 produtores de ostras da região.
“Costumo dizer que serei a última geração de produtores de ostras aqui. E não há como lutar contra isso”, disse à Rest of World o pescador Li Cheng-chieh, que há várias gerações mora em Changhua e vive da coleta nos bancos de areia ao longo da costa.
A Taiwan Power Company, proprietária do parque eólico e dos cabos, afirmou que dá importância aos meios de subsistência dos pescadores locais e que ofereceu opções, como contratá-los para operar embarcações de guarda e treiná-los para operar embarcações de manutenção. Disse ainda que o objetivo é “a coexistência entre a energia eólica offshore e a pesca, bem como a prosperidade compartilhada dos parques eólicos e das áreas de pesca”.
A fabricação de chips, que representa quase um quinto do PIB de Taiwan, consome grande quantidade de água e eletricidade, e o setor se tornou uma prioridade do governo, em detrimento de áreas tradicionais da economia. A pressão por mais terras para parques solares e turbinas eólicas estão causando conflitos, a exemplo do que ocorre em países como Noruega e Quênia, e o custo maior, inevitavelmente, é pago pelas comunidades que vivem da pesca e da agricultura.
#chips de IA#energia eólica#ostras#parque eolico#semicondutores#Taiwan

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