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08/07/2026Por Ricardo Marques da Silva19/12/2025

Por Ricardo Marques da Silva
Vídeos manipulados, notícias falsas que parecem verdadeiras, propaganda enganosa, livros ruins escritos por inteligência artificial: esses e outros tipos de conteúdo que invadem a internet e as redes sociais são definido como “slop”, termo em inglês que significa “lama”, ou “sujeira”, e foi eleito pelo dicionário norte-americano Merriam-Webster como a palavra do ano de 2025. Em resumo, a escolha se refere à recorrência do que há de pior na IA e perturba cada vez mais a vida das pessoas ao espalhar desinformação.
Os editores da Merriam-Webster disseram que “slop” representa o conteúdo digital de baixa qualidade geralmente produzido em grande quantidade por meio de IA: “É todo esse lixo despejado em nossas telas, resumido em apenas quatro letras na língua inglesa”, explicaram.
Em um texto publicado em seu site oficial, o dicionário lembrou que, assim como lodo, lama e sujeira, “slop tem o som úmido de algo que você não quer tocar e se infiltra em tudo”. Esclareceu ainda que, em seu sentido original, no século 18, “slop” significava “lama mole” e, no século seguinte, passou a designar também restos de comida, como lavagem de porcos, e mais genericamente, lixo ou algo de pouco ou nenhum valor.
“Em 2025, em meio a toda a discussão a respeito das ameaças da IA, ‘slop’ ganhou o significado de desleixo e estabeleceu um tom menos temeroso e mais irônico. A palavra envia uma pequena mensagem à IA: quando se trata de substituir a criatividade humana, às vezes a tecnologia não parece tão superinteligente assim”, acrescentaram os editores da Merriam-Webster.
“É uma palavra muito ilustrativa”, disse Greg Barlow, presidente da Merriam-Webster, em entrevista à Associated Press. “A IA faz parte de uma tecnologia transformadora e é algo que as pessoas acham fascinante, irritante e um pouco ridículo”, completou.
A agência de notícias destacou que os geradores de vídeo com IA generativa, como o Sora, impressionam pela capacidade de criar conteúdo realista com base apenas em instruções de texto. “Mas a enxurrada dessas imagens nas redes sociais levantou preocupações relacionadas a desinformação e deep fakes. Esse tipo de conteúdo existe há anos, mas as ferramentas estão mais acessíveis agora e são usadas para fins políticos, inclusive pelo chefe do Pentágono. No mês passado, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, publicou uma imagem manipulada de uma tartaruga de desenho animado, reimaginada como um combatente empunhando uma granada, para defender as ações militares dos EUA na Venezuela”, acrescentou a AP.
Ironicamente, em 2024, a palavra do ano do Merriam-Webster havia sido “polarização”, definida pelo dicionário como “a divisão em dois opostos nitidamente distintos, especialmente, um estado em que as opiniões, crenças ou interesses de um grupo ou sociedade deixam de se distribuir ao longo de um espectro contínuo e se concentram em extremos opostos”.
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